terça-feira, 4 de março de 2014

Apresentação
O problema do câncer no Brasil ganha relevância pelo perfil epidemiológico que essa doença vem apresentando, e, com isso, o tema conquista espaço nas agendas políticas e técnicas de todas as esferas de governo. O conhecimento sobre a situação dessa doença permite estabelecer prioridades e alocar recursos de forma direcionada para a modificação positiva desse cenário na população brasileira.
O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) destaca-se pelo seu papel nacional no desenvolvimento de ações estratégicas de estruturação e implementação da política de prevenção e controle do câncer, incluindo, de forma especial, seu compromisso na disseminação de informações que contribuam para o estabelecimento de prioridades em termos de saúde pública.
A inclusão das ações de controle de câncer entre os 16 Objetivos Estratégicos do Ministério da Saúde para o período 2011 – 2015, com destaque para as ações de redução da prevalência do tabagismo e de ampliação de acesso, diagnóstico e tratamento em tempo oportuno dos cânceres de mama e do colo do útero, assim como a publicação da nova Política Nacional de Prevenção e Controle de Câncer na Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas (PNPCC-RAS), por meio da Portaria no 874, de 16 de maio de 2013, são exemplos destacados dessa premissa.
Como vem fazendo ao longo dos últimos 18 anos, em cumprimento ao compartilhamento de informações e experiências desenvolvidas, o INCA oferece à sociedade brasileira mais um volume sobre a estimativa de casos novos de câncer, para prover gestores, serviços de saúde, universidades, centros de pesquisa e sociedades científicas com informações atualizadas que possam subsidiar um maior conhecimento sobre a ocorrência da doença na população brasileira e nas suas regiões.
Atualmente, esta publicação é realizada a cada dois anos, sempre com base nos dados gerados pelos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP). Neste volume, foram considerados 19 tipos específicos de câncer, com base na magnitude e no impacto. As informações são apresentadas de forma consolidada para o país como um todo e de forma desagregada para Estados e capitais.
Essas informações são cada vez mais utilizadas, em áreas já estabelecidas, como a do planejamento das ações para a prevenção e controle do câncer, bem como em artigos científicos, dissertações e teses relacionadas ao câncer, além de se configurarem como importante instrumento dos meios de comunicação de massa e da imprensa em geral.
Nesse sentido, a regularidade da oferta de informações atualizadas é uma estratégia, sob a ótica da vigilância, para que se possa descrever e explorar analiticamente o cenário da incidência do câncer no país, apoiando-se nas premissas da melhoria e da atualidade das informações dos RCBP e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
As estimativas apresentadas nesta edição são mais uma ferramenta importante para o desenvolvimento do sistema de vigilância do câncer, que tem como grande desafio colocar Apresentação em prática o uso dessas informações e o conhecimento da realidade do país, para que as necessidades da população sejam priorizadas e atendidas pela política pública de saúde, conforme preconizado no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011 – 2022, do Ministério da Saúde.

Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva


Introdução
O Brasil vem sofrendo mudanças em seu perfil demográfico, consequência, entre outros fatores, do processo de urbanização populacional, da industrialização e dos avanços da ciência e da tecnologia. A essas novas caraterísticas da sociedade brasileira, unem-se os novos estilos de vida e a exposição, ainda mais intensa, a fatores de risco próprios do mundo contemporâneo.

Esse processo de mudança demográfica, denominado de “envelhecimento” da população, associado à transformação nas relações entre as pessoas e seu ambiente, trouxe uma alteração importante no perfil de morbimortalidade, diminuindo a ocorrência das doenças infectocontagiosas e colocando as doenças crônico-degenerativas como novo centro de atenção dos problemas de doença e morte da população brasileira.

Assim como a transição epidemiológica, também a vigilância foi reformulada, para ampliar o seu objeto, incluindo hoje o grupo de doenças crônico-degenerativas, que, pela importância crescente na morbimortalidade do país, vem, progressivamente, sendo acrescentado ao repertório tradicional da vigilância epidemiológica.

A vigilância de câncer destina-se, como em qualquer sistema de vigilância, a produzir informações para a tomada de decisões. Essas informações provêm dos registros de câncer, dos grandes sistemas de informação em saúde, de análises e estimativas, bem como de pesquisas e estudos epidemiológicos.

É importante relembrar que câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 tipos diferentes de doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células anormais com potencial invasivo. Além disso, sua origem se dá por condições multifatoriais. Esses fatores causais podem agir em conjunto ou em sequência para iniciar ou promover o câncer (carcinogênese).

O desenvolvimento da maioria dos cânceres requer múltiplas etapas que ocorrem ao longo de muitos anos. Assim, alguns tipos de câncer podem ser evitados pela eliminação da exposição aos fatores determinantes. Se o potencial de malignidade for detectado antes de as células tornarem-se malignas, ou numa fase inicial da doença, tem-se uma condição mais favorável para seu tratamento e, consequentemente, para sua cura.

A prevenção e o controle do câncer precisam adquirir o mesmo foco e a mesma atenção que a área de serviços assistenciais, pois o crescente aumento do número de casos novos fará com que não haja recursos suficientes para dar conta das necessidades de diagnóstico, tratamento e acompanhamento. A consequência serão mortes prematuras e desnecessárias. Assim, medidas preventivas devem ser implementadas agora para reduzir a carga do câncer, como as estratégias para o controle do tabagismo, relacionado ao câncer de pulmão, entre outros; a promoção da alimentação saudável, para a prevenção dos cânceres de estômago e intestino, entre outros; a vacinação para Papilomavírus humano (HPV) e hepatite, contra o câncer do colo do útero e de fígado. De igual modo, a adoção de estilos de vida mais saudáveis, como uma alimentação adequada e a prática de atividade física, permitirá um melhor controle dos cânceres de mama, próstata e intestino. Essas medidas crescem em importância, principalmente em países como o Brasil, que se encontra em um processo de transição econômica, o que o faz ganhar, progressivamente, o ônus global do câncer observado em países economicamente desenvolvidos.

De acordo com estimativas mundiais do projeto Globocan 2012, da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, do inglês International Agency for Research on Cancer), da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve 14,1 milhões de casos novos de câncer e um total de 8,2 milhões de mortes por câncer, em todo o mundo, em 2012. A carga do câncer continuará aumentando nos países em desenvolvimento e crescerá ainda mais em países desenvolvidos se medidas preventivas não forem amplamente aplicadas. Nesses, os tipos de câncer mais frequentes na população masculina foram próstata, pulmão e cólon e reto; e mama, cólon e reto e pulmão entre as mulheres. Nos países em desenvolvimento, os três cânceres mais frequentes em homens foram pulmão, estômago e fígado; e mama, colo do útero e pulmão nas mulheres.

Em 2030, a carga global será de 21,4 milhões de casos novos de câncer e 13,2 milhões de mortes por câncer, em consequência do crescimento e do envelhecimento da população, bem como da redução na mortalidade infantil e nas mortes por doenças infecciosas em países em desenvolvimento.

É com base nas informações de 23 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), alimentados por uma rede de 282 Registros Hospitalares de Câncer (RHC), que se consolida o sistema de morbidade por câncer – com informações oportunas e de qualidade (padronizadas, atualizadas e representativas da população brasileira). A esse sistema, agrega-se o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) para a elaboração da estimativa de 19 tipos de câncer, apresentada para o território nacional, estados e capitais, por gênero.

No Brasil, a estimativa para o ano de 2014, que será válida também para o ano de 2015, aponta para a ocorrência de aproximadamente 576 mil casos novos de câncer, incluindo os casos de pele não melanoma, reforçando a magnitude do problema do câncer no país. O câncer de pele do tipo não melanoma (182 mil casos novos) será o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (69 mil), mama feminina (57 mil), cólon e reto (33 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (15 mil).

Sem considerar os casos de câncer de pele não melanoma, estimam-se 395 mil casos novos de câncer, 204 mil para o sexo masculino e 190 mil para sexo feminino. Em homens, os tipos mais incidentes serão os cânceres de próstata, pulmão, cólon e reto, estômago e cavidade oral; e, nas mulheres, os de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e glândula tireoide. É incontestável que o câncer é hoje, no Brasil, um problema de saúde pública, cujos controle e prevenção deverão ser priorizados em todas as regiões, desde as mais desenvolvidas – cultural, social e economicamente – até às mais desiguais. As abordagens orientadas para enfrentar esse problema de saúde são, necessariamente, múltiplas, incluindo: ações de educação para saúde em todos os níveis da sociedade; prevenção orientada para indivíduos e grupos; geração de opinião pública; apoio e estímulo à formulação de legislação específica para o enfrentamento de fatores de risco relacionados à doença; e fortalecimento de ações em escolas e ambientes de trabalho.

De outro lado, atividade fundamental é o monitoramento continuado dos programas de prevenção e controle implementados para combater o câncer e seus fatores de risco. Esse monitoramento incorpora a supervisão e a avaliação dos programas como atividades necessárias para o conhecimento do andamento e do impacto no perfil de morbimortalidade da população, bem como a manutenção de um sistema de informações oportuno e de qualidade, que subsidie análises epidemiológicas como produto dos sistemas de vigilância.

O INCA permanece mobilizado em prover gestores, profissionais da saúde e da comunicação e a sociedade em geral de informações sobre câncer, contribuindo a cada biênio com as estimativas, que serão a base para a tomada de decisões, em todas as esferas de atuação, para o enfrentamento dessa doença.

Metodologia
Estimou-se o número de casos novos de câncer para todas as unidades da federação (UF) e respectivas capitais para o biênio 2014/2015 pelo método proposto por Black et al. (1997). Esse método permite obter a taxa de incidência de câncer para uma determinada região, multiplicando-se a taxa observada de mortalidade da região pela razão entre os valores de incidência e mortalidade da localidade onde exista RCBP. Para a presente análise, optou-se pela utilização da razão entre as taxas de incidência e mortalidade (I/M), obtida pelo quociente entre a taxa bruta da incidência e a taxa bruta da mortalidade. O período de referência utilizado foi aquele compreendido entre 2002 e 2011 (período de maior concentração de informações sobre a incidência). A fonte de informação, para os óbitos, foi o SIM, enquanto, para a incidência, foram os RCBP.

Para cada região geográfica, utilizou-se a mediana da razão I/M dos registros correspondentes àquela região, exceto para a região Norte, para a qual se considerou a mediana da razão I/M obtida para o Brasil. As respectivas razões foram aplicadas às taxas de mortalidade estimadas por regressão linear para o ano de 2014 por UF e respectivas capitais. Quando o modelo linear não se mostrou aplicável, utilizou-se como alternativa a taxa média dos últimos cinco anos. Obtiveram-se, assim, as estimativas das taxas de incidência e o número de casos novos para o biênio 2014/2015. Ou seja:


Em que: TIL = Taxa de incidência estimada para a UF ou capital.

TML = Taxa de mortalidade estimada pela série histórica de mortalidade para UF ou capital.

IR = Taxa de incidência das localidades dos RCBP (período entre 2002 e 2011).

MO = Taxa de mortalidade das localidades onde existem RCBP (período entre 2002 e 2011).
A estimativa de casos novos para as cinco regiões geográficas e para o Brasil foi obtida pela soma dos valores absolutos por UF. As taxas correspondentes foram obtidas dividindo-se os valores de casos novos das regiões geográficas ou do Brasil pelas suas respectivas populações.

Todos os valores absolutos estimados foram arredondados para dez ou múltiplos de dez. As taxas de incidência apresentadas referem-se aos valores obtidos antes do arredondamento.

A fim de descrever o padrão geográfico da ocorrência de câncer, as taxas de incidência obtidas para as UF e Distrito Federal foram representadas espacialmente baseadas nas distribuições das taxas por quartil.

As populações utilizadas como denominador para o cálculo das taxas apresentadas na presente publicação, censitárias (1980, 1991, 1996, 2000 e 2010) e intercensitárias, foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Para o ano 2014, a população utilizada foi a da projeção populacional para 2014 obtida do IBGE. Como a informação populacional não estava desagregada por sexo, ela foi obtida tomando-se como base a distribuição proporcional por sexo da população do censo 2010 (Anexo A).

Os critérios gerais para a seleção das localizações de câncer que constam na presente publicação incluíram a magnitude da mortalidade ou da incidência (por exemplo: câncer de mama, próstata, pulmão e pele não melanoma), assim como aspectos ligados ao custo e a efetividade de programas de prevenção (por exemplo: câncer de mama, colo do útero e cavidade oral).

Neste trabalho, apresenta-se a estimativa para o biênio 2014/2015 do número de casos novos e respectivas taxas brutas para câncer em geral e 19 localizações selecionadas. A seleção dos tumores baseou-se na Classificação Internacional de Doenças para Oncologia, Segunda Edição (CID-O 2), para o período entre 2002 e 2004, e a Terceira Edição (CID-O 3), para o período entre 2005 e 2011, sendo convertida para a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, Décima Revisão (CID 10). Foram incluídos os cânceres cuja localização primária encontra-se abaixo descrita:

  • Todas as neoplasias (C00 a C97; D46, exceto C77-C79).
  • Cavidade oral (C00-C10).
  • Esôfago (C15).
  • Estômago (C16).
  • Cólon e reto (C18-C21).
  • Laringe (C32).
  • Traqueia, brônquio e pulmão (C33-C34).
  • Melanoma maligno da pele (C43).
  • Outras neoplasias malignas da pele (C44).
  • Mama feminina (C50).
  • Colo do útero (C53).
  • Corpo do útero (C54).
  • Ovário (C56).
  • Próstata (C61).
  • Bexiga (C67).
  • Sistema Nervoso Central (C70-C72).
  • Glândula tireoide (C73).
  • Linfoma de Hodgkin (C81).
  • Linfoma não Hodgkin (C82-C85; C96).
  • Leucemias (C91-C95).

Serão apresentadas, em separado, as estimativas dos casos novos de câncer do útero sem outra especificação (C55) somada aos casos de câncer de colo do útero (C53) para o biênio 2014/2015 (Figuras 40 e 41 e Anexo B).

Uma vez que o cálculo da estimativa guarda estreita dependência com as informações de mortalidade, quanto melhor a qualidade dessa informação, melhor a informação estimada para a incidência. A partir do ano de 2005, observou-se uma melhoria na informação sobre mortalidade no Brasil, refletida pela qualidade da informação obtida na causa básica da morte na declaração de óbito. O quadro atual, entretanto, ainda apresenta certo grau de subnotificação e percentual elevado de classificação por “causas mal definidas” em algumas UF. As estimativas aqui apresentadas, portanto, são reflexos desse cenário. Outro fator a ser considerado é a progressiva expansão da população coberta pelos RCBP, bem como a constante busca pela melhoria da qualidade das informações, fazendo com que, a cada ano, a validade e a precisão das estimativas anuais aumente.

Cabe enfatizar que é recomendada cautela na interpretação e na utilização das estimativas para analisar tendências temporais. Tal cuidado justifica-se em virtude de mudanças ocorridas na metodologia e, principalmente, em razão da melhoria da qualidade das informações ao longo do tempo.

A base de dados utilizada para mortalidade, embora de qualidade, possui uma defasagem de, aproximadamente, dois anos, portanto, o efeito de uma mudança aguda no quadro da mortalidade no período entre 2012 e 2014 não será captado pelas projeções atuais.

A base de dados de incidência obedece à estrutura e à dinâmica de cada um dos RCBP. Atualmente, o período de informações disponível varia desde 1987 até 2011. A qualidade das informações difere de registro para registro e também varia de ano para ano, uma vez que os RCBP modificam sua série de casos, melhorando a qualidade e a atualidade das informações.

Embora haja limitações, acredita-se que as estimativas sejam capazes de descrever padrões atuais de incidência de câncer, possibilitando o dimensionamento da magnitude e do impacto dessa doença no Brasil.

Síntese de Resultados e Comentários
Apresenta-se uma síntese das estimativas de incidência para o ano de 2014 no Brasil, assim como breves comentários sobre os tipos de câncer de maior magnitude que são passíveis de prevenção primária (prevenção da ocorrência) ou secundária (detecção precoce).



Câncer de próstata


Estimam-se 68.800 casos novos de câncer de próstata para o Brasil, no ano de 2014. Esses valores correspondem a um risco estimado de 70,42 casos novos a cada 100 mil homens (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais incidente entre os homens em todas as regiões do país, com 91,24/ 100 mil no Sul, 88,06/ 100 mil no Sudeste, 62,55/ 100 mil no Centro-Oeste, 47,46/ 100 mil no Nordeste e 30,16/ 100 mil no Norte (Tabelas 41222,27 e 32).

Comentário

A última estimativa mundial apontou o câncer de próstata como sendo o segundo tipo mais frequente em homens, cerca de 1,1 milhão de casos novos no ano de 2012. Aproximadamente 70% dos casos diagnosticados no mundo ocorrem em países desenvolvidos. As mais altas taxas de incidência foram observadas na Austrália/ Nova Zelândia, Europa Ocidental e América do Norte. Esse aumento pode ser reflexo, em grande parte, das práticas de rastreamento pelo teste do Antígeno Prostático Específico (PSA).
No Brasil, o aumento da expectativa de vida, a melhoria e a evolução dos métodos diagnósticos e da qualidade dos sistemas de informação do país, bem como a ocorrência de sobrediagnóstico, em função da disseminação do rastreamento do câncer de próstata com PSA e toque retal, podem explicar o aumento das taxas de incidência (observadas pela análise da série histórica de incidência dos RCBP) ao longo dos anos.
O único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer de próstata é a idade. Aproximadamente 62% dos casos diagnosticados no mundo ocorrem em homens com 65 anos ou mais. Com o aumento da expectativa de vida mundial, é esperado que o número de casos novos de câncer de próstata aumente cerca de 60% até o ano de 2015. Além disso, a etnia e a história familiar da doença também são consideradas fatores de risco. O câncer de próstata é aproximadamente duas vezes mais comum em homens negros se comparados aos brancos. Os estadunidenses, jamaicanos e caribenhos com ascendência africana apresentam as mais altas taxas de incidência do câncer de próstata do mundo, o que pode ser atribuído, em parte, à hereditariedade (cerca de 5% a 10%). Apesar disso, é possível que essa diferença entre negros e brancos se dê em razão do estilo de vida ou de fatores associados à detecção da doença.
Outro fator importante na etiologia desse tipo de câncer é a dieta. Dietas com base em gordura animal, carne vermelha, embutidos e cálcio têm sido associadas ao aumento no risco de desenvolver câncer de próstata. Além disso, a obesidade também é apontada no aumento do risco de desenvolver essa neoplasia, em especial para aquelas de comportamento mais agressivo. Em contrapartida, é possível que dietas ricas em vegetais, vitaminas D e E, licopeno e ômega-3 sejam capazes de conferir algum efeito protetor contra o câncer de próstata.
A mortalidade por esse câncer apresenta um perfil ascendente semelhante ao da incidência no Brasil, embora sua magnitude seja mais baixa. Pode ser considerado de bom prognóstico se diagnosticado e tratado oportunamente. Como parte do 3º Informativo da Vigilância do Câncer do INCA, foi realizado um estudo para estimar a sobrevida do câncer, por meio da razão da Mortalidade e Incidência. Essa razão foi obtida pela da distribuição mediana das taxas de incidência e mortalidade dos RCBP brasileiros, com diferentes séries temporais, e do SIM. Assim, para o câncer de próstata, o estudo apontou uma sobrevida aproximada de 80%.
A organização de programas de rastreamento do câncer de próstata não está indicada, pois ainda existe considerável incerteza sobre a existência de benefícios associados a essa prática e, por outro lado, evidências científicas de boa qualidade demonstram que essa intervenção produz danos importantes para a saúde dos homens. Portanto, ações de controle da doença devem focar em outras estratégias, como a prevenção primária e o diagnóstico precoce.

Câncer da mama feminina






Para o Brasil, em 2014, são esperados 57.120 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,09 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das regiões Sudeste (71,18/ 100 mil), Sul (70,98/ 100 mil), Centro-Oeste (51,30/ 100 mil) e Nordeste (36,74/ 100 mil). Na região Norte, é o segundo tumor mais incidente (21,29/ 100 mil) (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Cerca de 1,67 milhões de casos novos dessa neoplasia foram esperados para o ano de 2012, em todo o mundo, o que representa 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. Suas taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do mundo, com as maiores taxas em 2012 na Europa Ocidental (96/ 100 mil) e as menores taxas na África Central e na Ásia Oriental (27/ 100 mil).
Mais de 80% dos cânceres de mama têm origem no epitélio ductal, enquanto a minoria se origina do epitélio lobular. Nos últimos 40 anos, a sobrevida vem aumentando nos países desenvolvidos e, atualmente, é de 85% em cinco anos, enquanto, nos países em desenvolvimento, permanece com valores entre 50% e 60%. O câncer de mama é a maior causa de morte por câncer nas mulheres em todo o mundo, com cerca de 520 mil mortes estimadas para o ano de 2012. É a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos, atrás somente do câncer de pulmão, e a maior causa de morte por câncer nos países em desenvolvimento.
Alguns fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama são bem conhecidos, como: envelhecimento, fatores relacionados à vida reprodutiva da mulher, história familiar de câncer de mama, consumo de álcool, excesso de peso, sedentarismo, exposição à radiação ionizante e alta densidade do tecido mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido adiposo da mama).
A idade continua sendo um dos mais importantes fatores de risco. As taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos. Após essa idade, o aumento ocorre de forma mais lenta, o que reforça a participação dos hormônios femininos na etiologia da doença. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorre após os 50 anos.
A história familiar de câncer de mama está associada a um aumento no risco de cerca de duas a três vezes para o desenvolvimento desse tipo de neoplasia. Alterações em alguns genes, por exemplo BRCA1 e BRCA2, aumentam o risco de desenvolver câncer de mama, embora essas mutações sejam raras e contribuam para uma parcela mínima de casos de câncer de mama. Cerca de nove em cada 10 casos ocorrem em mulheres sem história familiar.
Amamentação, prática de atividade física e alimentação saudável com a manutenção do peso corporal estão associadas a um menor risco de desenvolver esse tipo de câncer.
A prevenção primária dessa neoplasia é um campo de pesquisa e de intervenções bastante promissor. Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados por medidas como uma alimentação saudável, prática de atividade física regular e manutenção do peso ideal.
No Brasil, a mamografia bienal para mulheres entre 50 a 69 anos e o exame clínico das mamas anualmente a partir dos 40 anos é a estratégia recomendada para a detecção precoce do câncer de mama em mulheres com risco padrão. Para as mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer de mama (com história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau), recomenda-se o exame clínico da mama e a mamografia, anualmente, a partir de 35 anos.
Nos últimos três anos, o INCA e o Ministério da Saúde vêm ampliando a estratégia de “estar alerta” (awareness) à população feminina e aos profissionais de saúde. Essa estratégia de comunicação preconiza que todas as mulheres devem conhecer os principais fatores de risco para o câncer de mama, a idade de maior risco de ocorrência da doença e seus mais frequentes sinais e sintomas. Também recomenda que as mulheres, ao identificarem tais sinais e sintomas, procurem imediatamente um serviço de saúde para esclarecimento diagnóstico.
Apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. A sobrevida em um, cinco, dez e 20 anos, em países desenvolvidos, como a Inglaterra, é de 95,8%, 85,1%, 77% e 64% respectivamente. O estudo do INCA, já citado acima, apresentou, para o câncer de mama, uma sobrevida aproximada de 80%.

Câncer de cólon e reto











Estimam-se, para 2014, no Brasil, 15.070 casos novos de câncer de cólon e reto em homens e 17.530 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 15,44 casos novos a cada 100 mil homens e 17,24 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de cólon e reto em homens é o segundo mais frequente na região Sudeste (22,67/ 100 mil) e terceiro nas regiões Sul (20,43/ 100 mil) e Centro-Oeste (12,22/ 100 mil). Na região Norte (4,48/ 100 mil), ocupa a quarta posição e, na região Nordeste, (6,19/ 100 mil) a quinta. Para as mulheres, é o segundo mais frequente nas regiões Sudeste (24,56/ 100 mil) e Sul (21,85/ 100 mil). O terceiro nas regiões Centro-Oeste (14,82/100 mil) e Nordeste (7,81/ 100 mil), enquanto, na região Norte (5,30/ 100 mil), é o quarto mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

Segundo a última estimativa mundial, o câncer de cólon e reto configura-se como o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens, com 746 mil casos novos, e o segundo nas mulheres, com 614 mil casos novos para o ano de 2012. Mais da metade dos casos são provenientes de regiões mais desenvolvidas. Os padrões geográficos são bem semelhantes em relação ao sexo, sendo que o sexo masculino apresenta uma maior incidência na maioria das populações.
Tem-se observado uma mudança no padrão da incidência do câncer de cólon e reto. Em países onde o risco era considerado baixo, como o Japão e outras nações asiáticas, existe uma tendência de aumento para a incidência dessa neoplasia. Por outro lado, em países sabidamente com alto risco, a incidência apresenta uma estabilidade ou até mesmo um declínio em suas taxas, como é o caso de países da Europa Ocidental, do Norte Europeu e da América do Norte, além da Austrália.
Essa neoplasia é considerada de bom prognóstico se a doença for diagnosticada em estágios iniciais. A sobrevida média global em cinco anos encontra-se em torno de 55% nos países desenvolvidos e 40% nos países em desenvolvimento. Assemelhando-se à incidência, as taxas de mortalidade são mais baixas em mulheres do que nos homens, exceto para a região do Caribe. O já citado estudo do INCA apontou, para o câncer de cólon e reto, uma sobrevida aproximada de 55%.
O desenvolvimento de várias formas comuns de câncer é resultado da interação entre fatores endógenos e ambientais, sendo um dos mais notáveis a dieta. Para o câncer de cólon e reto, os fatores protetores mais importantes são a atividade física e o consumo de alimentos que contêm fibra dietética, ou seja, aqueles de origem vegetal, tais como: frutas, hortaliças (legumes e verduras) e cereais integrais. Por outro lado, são fatores de risco para esse tipo de câncer: carne vermelha, carnes processadas (como mortadelas, presuntos, salsichas, linguiças), bebidas alcoólicas, tabagismo, gordura corporal e abdominal. Outros fatores de risco são a história familiar de câncer colorretal, a predisposição genética ao desenvolvimento de doenças crônicas do intestino e a idade, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam com a idade. Apesar disso, a maioria dos cânceres de cólon e reto (cerca de 75%) se dá de forma esporádica, surgindo de mutações somáticas e evolução do clone celular tumoral.
A história natural dessa neoplasia propicia condições ideais à sua detecção precoce. A pesquisa de sangue oculto nas fezes e métodos endoscópicos são considerados meios de detecção precoce, pois são capazes de diagnosticar e remover pólipos adenomatosos colorretais (precursores do câncer de cólon e reto), bem como tumores em estágios bem iniciais. Mesmo em países com maiores recursos, a relação custo-benefício em investimentos para estratégias apropriadas de prevenção e detecção precoce do câncer de cólon e reto tem impossibilitado a implantação de rastreamento populacional. Essas estratégias não têm o objetivo de diagnosticar mais pólipos ou lesões planas, mas sim de diminuir a incidência e a mortalidade por essa neoplasia na população.

Câncer do pulmão












No Brasil, para 2014, estimam-se 16.400 casos novos de câncer de pulmão entre homens e 10.930 entre mulheres. Tais valores correspondem a um risco estimado de 16,79 casos novos a cada 100 mil homens e 10,75 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão em homens é o segundo mais frequente nas regiões Sul (33,62/ 100 mil) e Centro-Oeste (14,03/ 100 mil). Nas regiões Sudeste (18,51/ 100 mil), Nordeste (9,01/ 100 mil) e Norte (7,69/ 100 mil), é o terceiro. Para as mulheres, é o terceiro mais frequente nas regiões Sul (21,35/ 100 mil) e Sudeste (11,48/ 100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (8,49/ 100 mil) e Nordeste (6,40/100 mil), é o quarto. Já na região Norte (5,11/ 100 mil), é o quinto mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de pulmão era considerado uma doença rara até o início do século XX. Desde então, sua ocorrência aumentou rapidamente, e essa neoplasia tornou-se a mais frequente na população mundial e a causa mais importante de morte por câncer no mundo. A última estimativa mundial apontou uma incidência de 1,82 milhão de casos novos de câncer de pulmão para o ano de 2012, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres.

A ocorrência dessa neoplasia expressa a exposição passada ao tabagismo. Esse consumo representa, na maioria das populações, mais de 80% dos casos de câncer de pulmão. Em geral, as taxas de incidência, em um determinado país, refletem seu consumo de cigarros. Os usuários de tabaco têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão quando comparados aos não fumantes. Com relação ao gênero, os homens apresentam maiores taxas de incidência do que mulheres.
Outros fatores de risco conhecidos incluem exposição a carcinógenos ocupacionais e ambientais, como amianto, arsênico, radônio e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Em países industrializados, estima-se que de 5% a 10% dos casos de câncer de pulmão sejam atribuídos a esse tipo de exposição. Além disso, repetidas infecções pulmonares, história de tuberculose e deficiência ou excesso de vitamina A também são considerados fatores de risco para o desenvolvimento dessa neoplasia.
Os principais tipos histológicos do câncer de pulmão são os carcinomas de células escamosas, de pequenas células (carcinomas oat-cell), de grandes células e os adenocarcinomas. Durante as últimas décadas, houve uma diminuição dos carcinomas de células escamosas e um aumento dos adenocarcinomas. Isso, provavelmente, deve-se a mudanças na composição dos produtos do tabaco, bem como à mudança no comportamento populacional relacionado ao tabagismo.
Esse tipo de câncer é geralmente detectado em estágios avançados, uma vez que a sintomatologia nos estágios iniciais da doença não é comum. Com isso, o câncer de pulmão permanece como uma doença altamente letal, sua razão mortalidade/ incidência (M/I) é de, aproximadamente, 0,86. Estudo recente realizado pelo INCA apontou uma razão M/I de 0,95 em homens e 0,86 em mulheres.
Ao final do século XX, o câncer de pulmão tornou-se uma das principais causas de morte evitável. O consumo de vegetais e frutas tem mostrado um efeito protetor, principalmente porque esses alimentos contêm carotenoides (pigmentos vermelhos e amarelos) que possuem propriedades antioxidantes. Entretanto, o controle do tabaco permanece como a principal forma de redução da ocorrência dessa neoplasia.

Câncer do estômago


Esperam-se 12.870 casos novos de câncer de estômago em homens e 7.520 em mulheres para o Brasil, no ano de 2014. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13,19 casos novos a cada 100 mil homens e 7,41 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago em homens é o segundo mais frequente nas regiões Norte (11,10/ 100 mil) e Nordeste (10,25/ 100 mil). Nas regiões Sul (16,07/1 00 mil) e Centro-Oeste (10,88/ 100 mil), é o quarto. Já na região Sudeste (14,99/ 100 mil), ocupa a quinta posição. Para as mulheres, é o terceiro mais frequente na região Norte (5,91/ 100 mil). Nas regiões Sudeste (8,20/ 100 mil) e Nordeste (6,39/ 100 mil), ocupa a quinta posição. Nas regiões Sul (8,43/ 100 mil) e Centro-Oeste (6,32/ 100 mil), ocupa a sexta (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

A última estimativa mundial apontou a ocorrência de aproximadamente 1 milhão de casos novos de câncer de estômago para o ano de 2012, configurando-se como a quarta causa mais comum de câncer em homens (631 mil casos novos) e quinta em mulheres (320 mil casos novos). Mais de 70% dos casos ocorrem em países em desenvolvimento, além disso, a taxa de incidência é cerca de duas vezes mais alta no sexo masculino do que no feminino.
Apesar de ser a segunda causa de morte por câncer no mundo em ambos os sexos, a tendência temporal mostra um declínio em vários países. As taxas de incidência também mostram uma diminuição substancial na maioria dos países. Parte da explicação para esse declínio deve-se a fatores relacionados ao aumento do uso de refrigeradores para uma melhor conservação alimentar, o que permitiu maior disponibilidade e consumo de alimentos frescos, como frutas e hortaliças (legumes e verduras), e reduziu a necessidade do uso de sal, particularmente de alimentos conservados no sal. Evidências reportam que frutas, legumes e verduras são fatores de proteção contra o câncer gástrico. Por outro lado, a alta ingestão de sal, por meio de adição ou de alimentos nele conservados, é provável fator de risco desse tipo de câncer. Outro determinante para essa diminuição nas taxas é a redução na prevalência de infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H pylori). Estratégias para prevenção do câncer de estômago incluem melhorias no saneamento básico e mudanças no estilo de vida da população.
Estudos epidemiológicos sugerem que o aumento na ingestão de frutas, legumes e verduras frescas está associado a um baixo risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. Já foi reportado que a ingestão diária de 50 gramas de hortaliças (verduras e legumes) e de frutas reduz em 25% e 17%, respectivamente, o risco de desenvolvimento de câncer gástrico. A alimentação saudável pode atuar como um fator protetor, porque frutas, legumes e verduras possuem vitaminas e fitoquímicos com propriedades antioxidantes, como as vitaminas C e E, os carotenoides e os flavonoides.
O maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer de estômago é a infecção a longo prazo pela bactéria H pylori. É uma das infecções mais comuns e pode ser responsável por cerca de 60% dos casos de câncer gástrico no mundo. Nos países em desenvolvimento, a prevalência dessa infecção chega a 90%, sendo, em geral, adquirida na infância, persistindo ao longo da vida.
Apesar do fator ambiental/ comportamental ser considerado o principal para o seu desenvolvimento, alguns estudos apontam que fatores genéticos poderiam influenciar no câncer gástrico. Um exemplo é a frequência de mutações em um gene que codifica a proteína E-caderina (CDH1) em câncer gástrico familial.
O câncer de estômago é um tipo de tumor que não possui um bom prognóstico, sendo a razão M/I considerada alta em todas as partes do mundo. Sua sobrevida relativa em cinco anos é considerada baixa tanto em países em desenvolvimento como em países desenvolvidos. Estudo recente realizado pelo INCA também apontou uma alta razão M/I de cerca de 0,70.

Câncer do colo do útero


Para o ano de 2014, no Brasil, são esperados 15.590 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,33 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o mais incidente na região Norte (23,57/ 100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (22,19/ 100 mil) e Nordeste (18,79/ 100 mil), é o segundo mais frequente. Na região Sudeste (10,15/100 mil), o quarto e, na região Sul (15,87 /100 mil), o quinto mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

Configurando-se como um importante problema de saúde pública, segundo as últimas estimativas mundiais para o ano de 2012, o câncer do colo do útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres, com 527 mil casos novos. Sua incidência é maior em países menos desenvolvidos quando comparada aos países mais desenvolvidos. Em geral, ela começa a partir de 30 anos, aumentando seu risco rapidamente até atingir o pico etário entre 50 e 60 anos. Esse câncer foi responsável pelo óbito de 265 mil mulheres em 2012, sendo que 87% desses óbitos ocorreram em países em desenvolvimento. Assim, para o câncer de colo do útero, o já citado estudo do INCA apresentou uma sobrevida aproximada de 70%.
O tipo histológico mais comum do câncer do colo do útero é o carcinoma de células escamosas, representando cerca de 85% a 90% dos casos, seguido pelo tipo adenocarcinoma. O principal fator de risco para o desenvolvimento de lesões intraepiteliais de alto grau (lesões precursoras do câncer do colo do útero) e do câncer do colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Contudo, essa infecção, por si só, não representa uma causa suficiente para o surgimento da neoplasia, faz-se necessária sua persistência.
Além de aspectos relacionados ao HPV (tipo e carga viral, infecção única ou múltipla), outros fatores ligados à imunidade, à genética e ao comportamento sexual parecem influenciar os mecanismos, ainda incertos, que determinam a regressão ou a persistência da infecção e também sua progressão para lesões precursoras ou câncer. A idade também interfere nesse processo: a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos regride espontaneamente, ao passo que, acima dessa idade, a persistência é mais frequente. O tabagismo eleva o risco de desenvolvimento do câncer do colo do útero. Esse risco é proporcional ao número de cigarros fumados por dia e aumenta, sobretudo, quando o ato de fumar é iniciado em idade precoce. Existem hoje 13 tipos de HPV reconhecidos como oncogênicos pela Iarc. Desses, os mais comuns são o HPV 16 e o 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos desse câncer.
A vacina contra o HPV é uma promissora ferramenta para o combate ao câncer do colo do útero. Em 2014, o Ministério da Saúde implementará no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacinação gratuita de meninas de 9 a 13 anos, com a vacina tetravalente, que protege contra dois principais tipos oncogênicos de HPV (16 e 18). A vacinação, contudo, não exclui as ações de prevenção e de detecção precoce pelo rastreamento, que busca lesões precursoras e câncer em mulheres sem sintomas.
Com exceção do câncer de pele, esse tumor é o que apresenta maior potencial de prevenção e cura, quando diagnosticado precocemente. O teste citopatológico convencional (Papanicolaou) é a principal estratégia de programas de rastreamento do câncer do colo do útero no mundo.
No Brasil, a estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde é o exame citopatológico em mulheres de 25 a 64 anos. Para a efetividade do programa de controle do câncer do colo do útero, faz-se necessário garantir a organização, a integralidade e a qualidade dos serviços e ações da linha de cuidado, bem como o tratamento e o seguimento das pacientes.

Câncer da cavidade oral


Estimam-se, para o Brasil, no ano de 2014, 11.280 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.010 em mulheres. Tais valores correspondem a um risco estimado de 11,54 casos novos a cada 100 mil homens e 3,92 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer da cavidade oral em homens é o quarto mais frequente nas regiões Sudeste (15,48/ 100 mil) e Nordeste (7,16/ 100 mil). Na região Centro-Oeste, é o quinto (8,18/ 100 mil). Nas regiões Sul (15,21/ 100 mil) e Norte (3,21/ 100 mil), o sexto. Para as mulheres, é o nono mais frequente nas regiões Sudeste (4,88/ 100 mil) e Nordeste (3,72/ 100 mil). Na região Norte (1,60/ 100 mil), ocupa a 11a posição. Na região Centro-Oeste (3,30/ 100 mil), é o 12o mais frequente e, na região Sul (3,09/ 100 mil), o 15o (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de cavidade oral é considerado um problema de saúde pública em todo o mundo. A última estimativa mundial apontou que ocorreriam cerca de 300 mil casos novos e 145 mil óbitos, para o ano de 2012, por câncer de boca e lábio (C00-08). Desses, cerca de 80% ocorreram em países em desenvolvimento. As mais altas taxas de incidência foram observadas em populações da Melanésia, do Centro-Sul Asiático, da Europa Oriental, Central e Ocidental, da África e da América Central.
Os principais fatores de risco para o câncer da cavidade oral são: tabagismo, etilismo, infecções por HPV, principalmente pelo tipo 16, e exposição à radiação UVA solar (câncer de lábio). Contudo, entre tais fatores, destacam-se o tabagismo e o etilismo. Estudos mostram um risco muito maior de desenvolver câncer na cavidade oral em indivíduos tabagistas e etilistas do que na população em geral, evidenciando a existência de uma sinergia entre o tabagismo e o etilismo. Ressaltam ainda um aumento no risco de acordo com o tempo que a pessoa fuma, com o número de cigarros fumados por dia e com a frequência de ingestão de bebidas alcoólicas.
A dieta também parece exercer um papel importante na prevenção desse tipo de câncer. Alguns estudos de base hospitalar reportam que o aumento da ingestão de frutas e vegetais contribui para a diminuição do risco de desenvolver essa neoplasia.
As taxas de incidência para câncer de cavidade oral relacionado à infecção pelo HPV, como amígdala, base da língua e orofaringe, vêm aumentando entre a população de adultos jovens em ambos os sexos. Parte desse aumento pode ser em razão de mudanças no comportamento sexual.
Apesar disso, as taxas de mortalidade por câncer da cavidade oral apresentam um declínio na maioria das populações masculinas. Contudo, em mulheres, esse comportamento ainda não pode ser observado, porque o início do uso do tabaco por elas foi posterior ao dos homens.
A melhor forma de diminuir a incidência dessa doença é controlar os fatores de risco que conhecidamente favorecem seu desenvolvimento. Para reduzir a mortalidade, é necessário que haja diagnóstico precoce feito por meio do exame clínico dos tecidos da boca, realizado obrigatoriamente por um profissional de saúde capacitado, com o qual será possível identificar tanto lesões potencialmente malignas quanto o câncer em estágios iniciais, possibilitando um tratamento menos agressivo e o aumento da sobrevida. O autoexame não deve ser preconizado como método preventivo com o risco de mascarar lesões e retardar o diagnóstico do tumor.

Câncer do esôfago


Para o Brasil, no ano de 2014, esperam-se 8.010 casos novos de câncer de esôfago em homens e 2.770 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 8,18 casos novos a cada 100 mil homens e 2,70 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de esôfago em homens é o quinto mais frequente na região Sul (15,97/100 mil). Na região Centro-Oeste (6,88/ 100 mil), é o sexto. Nas regiões Sudeste (9,45/ 100 mil) e Nordeste (4,50/100 mil), o sétimo, e, na região Norte (1,88/100 mil), é o 11o mais frequente. Para as mulheres, é o 13o mais frequente nas regiões Sul (5,27/100 mil), Sudeste (2,86/100 mil) e Nordeste (1,80/100 mil). Já nas regiões Centro-Oeste (2,39/100 mil) e Norte (0,67/100 mil), é o 14o (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de esôfago afeta mais de 450 mil pessoas no mundo a cada ano. Para 2012, foram estimados 323 mil casos novos em homens e 132 mil em mulheres. Em termos de incidência, o câncer de esôfago é de três a quatro vezes mais comum em homens do que em mulheres. A sobrevida em cinco anos é baixa, geralmente inferior a 10%. Por se tratar de um câncer de prognóstico ruim, as taxas de mortalidade aproximam-se das de incidência, em razão de sua alta letalidade.
O câncer de esôfago divide-se em dois principais subtipos histológicos: carcinomas de células escamosas e adenocarcinomas. O primeiro é o mais comum, aproximadamente 90% dos casos, e ocorre mais frequentemente em homens a partir dos 50 anos, acometendo mais o terço médio e inferior do esôfago. Já o adenocarcinoma surge na parte distal do esôfago, na presença de refluxo gástrico e metaplasia gástrica do epitélio (esôfago de Barret).
Os fatores de risco relacionados ao carcinoma de células escamosas são idade, história familiar e fatores extrínsecos, como álcool, fumo (fumado, mascado ou aspirado), infecções orais por fungos, agentes infecciosos (por exemplo, HPV), deficiência de riboflavina, excesso do uso de vitamina A, contaminação de produtos alimentícios por micotoxinas fumonisinas e ingestão excessiva, em temperaturas elevadas, de erva-mate muito comum no Sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai.
Diferentemente do carcinoma de células escamosas, o consumo de álcool não demonstrou relação com o aumento do risco de desenvolvimento do adenocarcinoma, e o fumo não exerce um risco potencial para seu aumento. Contudo, a doença do refluxo gastroesofágico predispõe ao esôfago de Barret, um importante precursor do adenocarcinoma.
Alguns fatores de proteção, como o uso de aspirina e de outros anti-inflamatórios não esteroidais, bem como a alta ingestão de frutas frescas e vegetais, especialmente se consumidos crus, e de antioxidantes, estão associados à diminuição do risco de ambos os tipos de câncer de esôfago.

Linfoma não Hodgkin


Estimam-se 4.940 casos novos de linfoma não Hodgkin (LNH) em homens e 4.850 em mulheres para o Brasil, no ano de 2014. Tais valores correspondem a um risco estimado de 5,04 casos novos a cada 100 mil homens e 4,77 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LNH em homens é o nono mais frequente nas regiões Norte (2,23/100 mil) e Sudeste (6,21/ 100 mil). Nas regiões Sul (6,90/100 mil) e Nordeste (3,43/100 mil), é o 11o e, na região Centro-Oeste (4,08/100 mil), o 12º. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na região Sudeste (6,47/100 mil) e o décimo na região Centro-Oeste (4,14/100 mil). Na região Nordeste (2,84/100 mil), ocupa a 11a posição, enquanto nas regiões Sul (5,61/100 mil) e Norte (1,52 /100 mil), é o 12o mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O LNH compreende uma variedade de doenças com os padrões de incidência que variam entre as populações. Foram estimados cerca de 390 mil casos novos e 199 mil óbitos por LNH no mundo, para o ano de 2012. América do Norte, Austrália/ Nova Zelândia e algumas partes da Europa possuem as mais altas taxas de incidência desse tipo de câncer. Em geral, essas taxas são baixas na África, com exceção do linfoma de Burkitt (um subtipo de LNH) que é causado pela infecção do vírus Epstein-Barr (EBV) em crianças. Além do EBV, outras infecções, como pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), estão associadas a um maior risco no desenvolvimento dos LNH.
As taxas de incidência do LNH aumentaram na maioria dos países desenvolvidos durante a década de 1990. Em geral, as taxas aumentaram cerca de 4% ao ano. Isso se deu, em parte, pela melhoria nos procedimentos diagnósticos e pelas mudanças na classificação. Além disso, nessa década, ocorreu o início da epidemia pela síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), principalmente em homens brancos.
Como a maioria dos cânceres, o risco para o desenvolvimento do LNH aumenta com a idade. Os homens têm um risco aumentado em duas vezes em relação às mulheres. Na maioria dos casos, a etiologia para LNH é desconhecida, embora exista uma associação entre o desenvolvimento desse câncer e a função imune alterada. Com isso, pessoas transplantadas que receberam tratamento com imunossupressores para prevenção de rejeição do transplante, indivíduos com condições autoimunes severas e pessoas infectadas pelo HIV possuem um maior risco para o desenvolvimento de LNH.
O histórico familiar também está presente como fator de risco para o LNH. O risco de desenvolvimento da doença entre parentes de primeiro grau é cerca de um e meio a quatro vezes maior. No entanto, o risco mais elevado apresenta-se entre irmãos do mesmo sexo, sugerindo um papel de fatores ambientais compartilhados.

Leucemia


Para o Brasil, no ano de 2014, estimam-se 5.050 casos novos de leucemia em homens e 4.320 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,20 casos novos para cada 100 mil homens e 4,24 para cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a leucemia é o quinto câncer mais frequente em homens na região Norte (3,57/ 100 mil). Na região Nordeste (4,15/ 100 mil), é o oitavo. Nas regiões Sul (8,13/ 100 mil), Sudeste (5,42/ 100 mil) e Centro-Oeste (4,14/100 mil), ocupa a décima posição. Para as mulheres, é o sétimo mais frequente na região Norte (2,81/100 mil) e o oitavo na região Sul (6,30/100 mil). Na região Nordeste (3,40/100 mil), ocupa a décima posição. Já nas regiões Sudeste (4,50/100 mil) e Centro-Oeste (3,41/100 mil), é o 11o mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

As leucemias surgem a partir do sistema hematopoético. Foram estimados cerca de 350 mil casos novos e 265 mil óbitos por leucemia no mundo para o ano de 2012.
Clínica e patologicamente, a leucemia é subdividida em grandes grupos. A primeira divisão está em suas formas aguda e crônica. A leucemia aguda caracteriza-se por um aumento rápido no número de células imaturas do sangue, o que faz com que a medula óssea seja incapaz de reproduzir células sanguíneas saudáveis. Já sua forma crônica caracteriza-se pelo aumento excessivo no número de células maduras anormais da série branca do sangue, levando meses ou até anos para progredir. A segunda divisão se dá de acordo com o tipo celular afetado pelas desordens. Podem surgir nos linfoblastos, resultando em uma doença denominada leucemia linfoide. Quando têm origem nas células granulocíticas e monocíticas, são denominadas leucemias mieloides.
A leucemia linfoblástica aguda é o tipo de câncer mais comum na infância. Nas últimas décadas, houve uma considerável progressão no tratamento das leucemias. Em virtude das diferenças no acesso ao tratamento, observa-se uma considerável diferença entre populações com relação à sobrevida. Entre a população masculina dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, a sobrevida em cinco anos é de 43%, enquanto, para o Japão, observa-se uma sobrevida de 25%; na América do Sul, 24%; na Índia, 19%; na Tailândia, 15%; e na África subsaariana, 14%. Em áreas com acesso a tratamentos, a sobrevida relativa em cinco anos, em crianças, alcança 80%.
Embora as causas para o desenvolvimento de leucemia ainda não sejam bem conhecidas, existem evidências para alguns fatores de risco, como exposição à radiação ionizante, medicamentos utilizados em quimioterapia e exposição ocupacional ao benzeno. Os primeiros indícios de que a exposição à radiação ionizante levava ao desenvolvimento de leucemia foram estudados após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Observou-se um excesso nas taxas de incidência para leucemia linfoblástica aguda, leucemia mieloide aguda e leucemia mieloide crônica, porém não foram observados excessos nas taxas de incidência para leucemia linfoblástica crônica.

Câncer de tireoide


Esperam-se, no ano de 2014, para o Brasil, 1.150 casos novos de câncer de tireoide para o sexo masculino e 8.050 para o sexo feminino, com um risco estimado de 1,15 casos a cada 100 mil homens e 7,91 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide, em homens, é o 13o mais incidente nas regiões Sul (3,43/100.00) e Nordeste (1,29/100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (1,29/100.00), Norte (0,65/100 mil) e Sudeste (0,43/100 mil), é o 14o. Nas mulheres, é o quarto mais frequente na região Sul (16,15/100 mil). Nas regiões Sudeste (7,89/100 mil), Nordeste (5,68/100 mil) e Norte (3,49/100 mil), é o sexto. Já na região Centro-Oeste (4,46/100 mil), é o nono mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de tireoide é considerado raro na maioria das populações mundiais, representando entre 2% e 5% do total de câncer em mulheres e menos de 2% nos homens. A última estimativa mundial apontou a ocorrência de cerca de 300 mil casos novos dessa neoplasia, sendo 68 mil no sexo masculino e 230 mil no sexo feminino.
Os tipos morfológicos mais comuns de câncer de tireoide são os adenocarcinomas papilares (cerca de 50% a 80%), seguido dos adenocarcinomas foliculares (de 10% a 40%) e dos adenocarcinomas medulares (de 5% a 15%).
Na maioria dos países, as taxas de incidência vêm mostrando um padrão de crescimento lento, porém contínuo (cerca de 1% ao ano) durante as últimas décadas. Segundo as informações do último volume da publicação Cancer Incidence in Five Continents (CURADO et al., 2007), durante o período de 1973 a 2002, as taxas de incidência aumentaram mais de cinco vezes na maioria das populações analisadas. As taxas de mortalidade apresentam queda continuada na maioria das populações, tal fato deve-se, provavelmente, à melhoria do tratamento.
O aumento do uso de ultrassom e biópsia guiada por imagem para detecção de doença subclínica é uma possível explicação para essa tendência de aumento nas taxas de incidência. Além disso, tem-se observado um aumento no diagnóstico de neoplasias com tamanhos acima de 4 cm e com metástases a distância, sugerindo, de fato, um aumento real na incidência da doença em razão de outros fatores, incluindo os ambientais e os genéticos, bem como a dieta.
A radiação ionizante, seja de exposição a tratamentos, seja ambiental, é o mais bem estabelecido fator de risco para o desenvolvimento do câncer de tireoide. O efeito carcinogênico parece ser maior quando a exposição começa antes dos 5 anos, deixando claro o efeito e a sua relação com a idade, já que as crianças são mais vulneráveis aos efeitos da radiação. Após as explosões atômicas no Japão e o acidente de Chernobyl, vários estudos confirmaram essa relação.
A associação entre câncer de tireoide e histórias de doenças benignas da tireoide tem sido observada na maioria dos estudos. Em função de as taxas de incidência dessa neoplasia serem cerca de duas a três vezes maiores em mulheres do que em homens, alguns estudos sugerem que fatores hormonais poderiam explicar esse excesso. A síntese de hormônios da tireoide necessita da presença de iodo. A deficiência crônica e o excesso nutricional de iodo no organismo levam à hiperplasia e à hipertrofia dos elementos foliculares (excesso de hormônio de estimulação da tireoide – TSH, do inglês thyroid-stimulating hormone). Esse fenômeno pode estar associado a um maior risco no desenvolvimento do câncer de tireoide, em especial nas mulheres.
Dieta e componente genético também são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de tireoide. Um padrão dietético de peixe e frutos do mar leva a um risco aumentado para o tipo folicular desse câncer. Alguns estudos relataram uma correlação entre aumento da incidência de câncer de tireoide e aumento no consumo de iodo na dieta. Com relação à genética, existe uma forte associação com o desenvolvimento do tipo medular do câncer de tireoide. Aproximadamente 20% dos casos estão associados com um gene autossômico dominante.

Câncer do Sistema Nervoso Central


Para o Brasil, no ano de 2014, estimam-se 4.960 casos novos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC) em homens e 4.130 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,07 casos novos a cada 100 mil homens e 4,05 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do SNC é o oitavo mais frequente em homens na região Norte (2,39/ 100 mil). Nas regiões Sul (8,72/ 100 mil), Centro-Oeste (4,24/ 100 mil) e Nordeste (3,91/ 100 mil), é o nono, e, na região Sudeste (5,28/ 100 mil), o décimo mais frequente. Para as mulheres, é o oitavo mais frequente na região Centro-Oeste (4,64/ 100 mil), o décimo nas regiões Sudeste (4,60/ 100 mil) e Norte (1,90/ 100 mil), o 11o na região Sul (5,90/ 100 mil) e 12o no Nordeste (2,72/ 100 mil) (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

No mundo, o câncer do SNC representa 1,9% de todas as neoplasias malignas. Entre os tumores mais incidentes, o SNC é o 14o mais frequente em homens, com o risco estimado de 3,9/ 100 mil, enquanto, nas mulheres, é o 15o, com o risco estimado de 3,0/ 100 mil. As maiores taxas de incidência encontram-se nos países europeus. Recente estudo europeu apresentou uma sobrevida relativa em cinco anos para pacientes com SNC de 18,5% em homens e de 21,7% em mulheres.
Durante as últimas décadas, a incidência e a mortalidade dos tumores de SNC aumentaram na maioria dos países desenvolvidos, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Parte desse aumento referente à incidência deve-se à melhoria e à introdução de novas tecnologias diagnósticas menos invasivas, por exemplo a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan).
A maioria dos tumores do SNC origina-se do cérebro, dos nervos cranianos e das meninges. Os gliomas são o tipo histológico mais frequente e representam cerca de 40% a 60% de todos os tumores primários do SNC, sendo mais comum na faixa etária adulta. Outros tipos histológicos de câncer do SNC são os meningiomas, representando entre 20% e 35% dos casos, e os neurilemomas (de 5% a 10%). Existem ainda tipos histológicos mais raros, como os adenomas pituitários, os meduloblastomas e os tumores de medula espinhal e nervos periféricos.
Mesmo não sendo muito frequente, o câncer de SNC contribui significativamente para a morbidade global. A distribuição etária da incidência possui um pico em crianças e outro em adultos acima dos 45 anos. A incidência dos tumores de SNC é ligeiramente mais alta no sexo masculino em comparação com o feminino. A razão de masculinidade para os gliomas é de aproximadamente 1,3. Sua taxa de incidência é mais alta entre grupos populacionais de maior nível socioeconômico. Parte desse alto índice pode ser explicada em razão do melhor acesso às tecnologias diagnósticas. Esse perfil também pode ser observado nos países desenvolvidos em relação aos países em desenvolvimento.
A etiologia desse tipo de câncer ainda é pouco conhecida, a irradiação terapêutica é a única causa confirmada, porém a ocorrência nesses casos é muito rara, sendo a associação mais forte para o desenvolvimento dos meningiomas e neurilemomas do que dos gliomas. Traumas físicos na região da cabeça e traumas acústicos (casos de trabalhadores expostos a alto nível de som) também são possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de meningioma e neurilemoma acústico, respectivamente.
Certas ocupações também são consideradas como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento dos tumores do SNC, como trabalho na indústria petroquímica, lavrador, embalsamador, entre outros. Alguns estudos sugerem que radiação gerada por radiofrequência, telefonia móvel e telecomunicação possam estar associadas a etiologia dos gliomas, porém esse assunto permanece inconclusivo.

Câncer de bexiga


Esperam-se 6.750 casos novos de câncer de bexiga em homens e 2.190 em mulheres no Brasil, em 2014. Esses valores correspondem a um risco estimado de 6,89 casos novos a cada 100 mil homens e 2,15 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga em homens é o sexto mais frequente na região Sudeste (10,00/ 100 mil) e o sétimo na região Centro-Oeste (5,86/ 100 mil). Na região Sul (9,10/ 100 mil), é o oitavo. Nas regiões Norte (1,98/ 100 mil) e Nordeste (2,82/ 100 mil), é o décimo e o 11o, respectivamente. Para as mulheres, é 13o mais frequente nas regiões Centro-Oeste (2,72/ 100 mil) e Norte (0,70/ 100 mil). Nas regiões Sul (3,29/ 100 mil), Sudeste (2,55/ 100 mil) e Nordeste (1,24/ 100 mil), é o 14o (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

De acordo com as últimas estimativas mundiais, em 2012, o câncer de bexiga teve 430 mil casos novos e foi responsável por cerca de 165 mil óbitos no mundo. As mais altas taxas de incidência para esse tipo de câncer foram encontradas em países da Europa, América do Norte e Norte da África. As taxas são mais altas em homens do que em mulheres.
Seu tipo mais comum é o carcinoma urotelial, também chamado de carcinoma de células transicionais. Embora mais frequente, a proporção desse tipo histológico varia entre os países. Na América do Norte, Europa e Austrália, essa proporção chega a 99% dos casos de câncer de bexiga. Já para países do Sudeste da Ásia, a proporção fica em torno de 80%. De uma forma geral, sua incidência é mais alta em homens do que em mulheres. Entretanto, em países da África, essa proporção diminui substancialmente, chegando a 50% de todos os casos de câncer de bexiga. Isso se dá em razão da infecção pelo Schistosoma hematobium nos países africanos, fazendo com que outro tipo de câncer de bexiga, o carcinoma de células escamosas, seja o tipo histológico mais comum.
O tabagismo é o fator de risco mais importante para esse tipo de câncer, sendo responsável por, aproximadamente, 66% dos casos novos em homens e 30% em mulheres nas populações mais industrializadas. A maioria dos estudos epidemiológicos aponta um aumento de 1,5% a 3,0% no risco de desenvolver câncer de bexiga em fumantes. Esse risco não difere entre gêneros e raças. Além disso, é observada uma imediata diminuição do risco (cerca de 40%) de desenvolver câncer de bexiga em pessoas que deixam de fumar. Grande parte do risco associado ao fumo se dá em razão da presença de aminas aromáticas na fumaça do cigarro.
Além desse, a exposição ocupacional também é um fator de risco importante. Trabalhadores de indústrias que envolvem exposição a aminas aromáticas (benzeno, por exemplo) possuem um maior risco para o desenvolvimento dessa neoplasia. Outras ocupações, como pintor, cabeleireiro, barbeiro, trabalhador de refinaria de petróleo, também apresentam um aumento no risco de desenvolver câncer de bexiga em função da exposição a uma variedade de produtos químicos, incluindo hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, formaldeídos e solventes.
Outro fator de risco é a história familiar. Pessoas com familiares de primeiro grau com câncer de bexiga possuem um maior risco (de 50% a 100%) de desenvolver a doença quando comparadas à população em geral. Esse risco, quanto interage com o tabagismo, aumenta em mais de cinco vezes em comparação aos não fumantes.
A dieta também está relacionada com o câncer de bexiga. O consumo de frutas parece estar associado a uma diminuição do risco, por outro lado, ainda não foi encontrada relação com o consumo de legumes.

Câncer da laringe


Para 2014, no Brasil, estimam-se 6.870 casos novos de câncer de laringe em homens e 770 em mulheres. O risco estimado é de 7,03 casos a cada 100 mil homens e de 0,75 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer de laringe é o sexto na região Nordeste (4,54/ 100 mil). Nas regiões Sul (9,21/ 100 mil) e Norte (2,70/ 100 mil), é o sétimo mais frequente, e, nas regiões Sudeste (9,17/ 100 mil) e Centro-Oeste (5/ 100 mil), é o oitavo. Entre as mulheres, é o 16o mais frequente nas regiões Nordeste (1,02/ 100 mil) e Centro-Oeste (0,99/ 100 mil). Nas regiões Sul (0,85/100 mil), Sudeste (0,55/100 mil) e Norte (0,46/100 mil), é o 17o frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

No mundo, o câncer de laringe é o segundo do aparelho respiratório, sendo o mais comum entre os diversos tipos de câncer de cabeça e pescoço. A última estimativa mundial apontou a ocorrência de cerca de 160 mil casos novos por ano, sendo responsável pelo óbito de, aproximadamente, 83 mil pessoas por ano. A incidência é maior em homens, com idade acima dos 40 anos. Observa-se uma tendência de declínio da mortalidade do câncer de laringe em vários países, sendo maior em países europeus.
Quase 95% dos casos de câncer de laringe são do tipo histológico carcinoma de células escamosas. Observam-se ainda, em menor frequência, os adenocarcinomas e alguns sarcomas (condrossarcomas).
O uso de tabaco é o principal fator de risco. Associado ao álcool, esse risco é potencializado. Outros fatores são: histórico familiar, má alimentação, situação socioeconômica desfavorável, inflamação crônica da laringe causada pelo refluxo gastroesofágico, HPV e exposição a produtos químicos, pó de madeira, fuligem ou poeira de carvão e vapores da tinta.
Quando diagnosticado em estágios iniciais, o câncer de laringe possui um bom prognóstico com alto percentual de cura (de 80% a 100%).

Câncer do corpo do útero


Esperam-se, para o Brasil, no ano de 2014, 5.900 casos novos de câncer do corpo do útero, com um risco estimado de 5,79 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do corpo do útero é o sexto mais incidente na região Sudeste (7,58/ 100 mil). Na região Centro-Oeste (5,22/ 100 mil), o sétimo, na região Nordeste (4/ 100 mil), o oitavo e nas regiões Sul (6,30/ 100 mil) e Norte (2,16/ 100 mil), o nono mais frequente (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer do corpo do útero é o sexto tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, com aproximadamente 319 mil casos novos por ano no mundo e taxa de incidência de 8,2 casos por 100 mil mulheres. É responsável pelo óbito de, aproximadamente, 76 mil mulheres por ano. As maiores taxas de incidência encontram-se na América do Norte e na Europa ocidental e, as menores, na Ásia e na África. A incidência de câncer de corpo do útero aumenta com a melhoria da expectativa de vida populacional. Mais de 90% dos casos encontram-se em mulheres acima de 50 anos (pós-menopausa), atingindo o seu pico aos 65 anos. Observa-se também uma boa sobrevida, desde que seja detectado em estágios iniciais. Em relação à mortalidade, percebe-se uma diminuição nas taxas dos países desenvolvidos, fato que pode ser atribuído à detecção do câncer em etapas precoces.
O tipo histológico mais comum de câncer do corpo do útero é o adenocarcinoma. Existem dois principais tipos de adenocarcinomas: o endometrioide do Tipo 1 (bem e moderadamente diferenciado), com cerca de 80% dos casos, e o câncer endometrial do Tipo 2 (de alto grau ou pouco diferenciado), com 10%. Os casos do Tipo 1 estão mais fortemente relacionados com os desiquilíbrios hormonais do que os do Tipo 2. Em contrapartida, esses apresentam alto risco de recidiva e de metástase.
Os principais fatores de risco são idade precoce na menarca, idade tardia na menopausa, terapia de reposição hormonal (TRH) e obesidade. O risco do tumor do Tipo 2 é aumentado em mulheres que tiveram câncer de mama. Possível explicação para isso está nos fatores de risco comuns, como a idade tardia da menopausa e o uso do tamoxifeno. A atividade física e o hábito alimentar são possíveis fatores de proteção da doença, embora mais estudos sejam necessários para tal conclusão. O uso dos contraceptivos orais pode estar associado à diminuição do risco do câncer do corpo do útero.
O programa de rastreamento não parece ser a melhor estratégica de detecção precoce por não refletir melhoria de sobrevida ou na diminuição da mortalidade.

Câncer do ovário


Estimam-se 5.680 casos novos de câncer do ovário para o Brasil, no ano de 2014, com um risco estimado de 5,58 casos a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do ovário é o quinto mais incidente na região Centro-Oeste, com um risco estimado de 6,96/ 100 mil. Nas regiões Sul (6,63/ 100 mil), Sudeste (6,58/ 100 mil) e Nordeste (4,03/ 100 mil), é o sétimo. Já na região Norte, é o oitavo mais frequente, com um risco estimado de 2,52/ 100 mil (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

A última estimativa mundial apontou que ocorreram 238 mil casos novos de câncer de ovário no ano de 2012, com um risco estimado de 6,1 casos a cada 100 mil mulheres. As mais altas taxas de incidência podem ser observadas nas partes ocidental e norte da Europa e na América do Norte. A África apresenta as taxas de incidência mais baixas. Mesmo em países de alto risco para o desenvolvimento do câncer de ovário, as taxas de incidência permanecem estáveis.
O fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de ovário é a história familiar de câncer de mama ou ovariano. Mulheres que já desenvolveram câncer de mama e são portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 possuem um risco aumentado de desenvolver câncer de ovário. Outra condição genética também relacionada a essa neoplasia é a síndrome de Lynch (câncer de cólon hereditário não polipoide). Outros fatores de risco, como terapia de reposição hormonal pós-menopausa, tabagismo, obesidade e nuliparidade podem aumentar o risco de adoecimento por esse câncer. Além disso, alguns estudos reportam uma relação direta entre o desenvolvimento do câncer ovariano e a menopausa tardia.
Outra questão importante para o câncer de ovário é a presença de endometriose (doença inflamatória frequente durante a vida reprodutiva da mulher). Os fatores de risco para a endometriose são semelhantes aos do câncer de ovário. Além de problemas reprodutivos, a endometriose causa um estado crônico de inflamação, o que também pode contribuir para o desenvolvimento desse câncer. Estudos sugerem que o risco de câncer de ovário dobre em mulheres portadoras de endometriose em comparação às que não têm essa doença.
Infelizmente, a prevenção desse tipo de neoplasia é limitada pelo pouco conhecimento de suas causas, além da falta de disponibilidade de técnicas para o diagnóstico precoce. Não existem comprovações de que o rastreamento do câncer seja suficientemente efetivo para a população. Geralmente, os diagnósticos são feitos de forma ocasional ou quando o tumor já apresenta sintomas que indicam uma doença mais avançada.

Linfoma de Hodgkin


Para o Brasil, no ano de 2014, estimam-se 1.300 casos novos de linfoma de Hodgkin (LH) em homens e 880 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 1,28 casos novos a cada 100 mil homens e 0,83 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o LH, em homens, é o 13o mais frequente nas regiões Centro-Oeste (2,10/ 100 mil), Sudeste (1,41/ 100 mil) e Norte (0,71/ 100 mil). Nas regiões Sul (1,78/ 100 mil) e Nordeste (0,78/ 100 mil), é o 14o. Para as mulheres, é o 16o mais frequente nas regiões Sudeste (1,08/100 mil), Sul (1,03/100 mil) e Norte (0,46 /100 mil), enquanto, nas regiões Centro-Oeste (0,72/100 mil) e Nordeste (0,48/100 mil), é o 17o (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O LH, também chamado de doença de Hodgkin, compreende uma variedade de doenças com os padrões de incidência que variam entre as populações. A última estimativa mundial apontou que, em 2012, ocorreram 659 mil casos novos, sendo 385 mil no sexo masculino e 274 mil no sexo feminino, e 254 óbitos por esse tipo de câncer. As mais altas taxas de incidência deram-se na América do Norte, partes da Europa e Austrália/ Nova Zelândia, enquanto as mais baixas foram observadas em regiões menos desenvolvidas.
A variação etária da incidência do LH apresenta uma distribuição bimodal, tendo seu primeiro pico etário entre 15 e 35 anos e o segundo acima dos 60 anos. Esse padrão de distribuição sugere que o LH possui, pelo menos, entidades morfológicas diferentes. Em países menos desenvolvidos, esse primeiro pico etário tende a ser observado em faixas etárias mais baixas.
As infecções virais desempenham um importante papel etiológico no surgimento do LH. A diminuição ou o atraso a exposições infecciosas durante a infância podem estar associados ao desenvolvimento do LH. A infecção pelo EBV está associada a maioria dos casos de LH.
Os pacientes imunodeficientes apresentam um maior risco de desenvolvê-lo. Além disso, estilo de vida e questões ambientais ainda são estudados como possíveis fatores de risco para esse câncer.

Câncer de pele


Esperam-se 98.420 casos novos de câncer de pele não melanoma nos homens e 83.710 nas mulheres no Brasil, em 2014. Esses valores correspondem a um risco estimado de 100,75 casos novos a cada 100 mil homens e 82,24 a cada 100 mil mulheres (Tabela 1).
O câncer de pele não melanoma é o mais incidente em homens nas regiões Sul (159,51/ 100 mil), Sudeste (133,48/ 100 mil) e Centro-Oeste (110,94/ 100 mil). Nas regiões Nordeste (40,37/ 100 mil) e Norte (28,34/ 100 mil), encontra-se na segunda posição. Nas mulheres, é o mais frequente em todas as regiões, com um risco estimado de 112,28/ 100 mil no Sudeste, 99,31/ 100 mil no Centro-Oeste, 86,03/ 100 mil no Sul, 46,68/ 100 mil no Nordeste e 24,73/ 100 mil no Norte (Tabelas 4122227 e 32).
Quanto ao melanoma, sua letalidade é elevada, porém sua incidência é baixa (2.960 casos novos em homens e 2.930 em mulheres). As maiores taxas estimadas em homens e mulheres encontram-se na região Sul (Tabelas 4122227 e 32).

Comentário

O câncer de pele tem distribuição universal e costuma apresentar-se sob três principais formas: melanoma, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular (ou epidermoide). Os carcinomas basocelular e epidermoide são também conhecidos como câncer de pele não melanoma, tipo mais frequentes de câncer de pele e câncer mais frequente na população de pele clara. A exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco para o surgimento dos cânceres de pele melanoma e não melanoma. O carcinoma epidermoide ocorre quase exclusivamente em áreas expostas continuamente à radiação solar, enquanto o carcinoma basocelular pode ocorrer em áreas do corpo expostas à radiação solar de forma intermitente. Para o melanoma, a presença de numerosos nevos cutâneos aumenta o risco.
A incidência dos cânceres de pele não melanoma aumenta com a idade, em especial a incidência do carcinoma epidermoide. O carcinoma basocelular é mais frequente que o carcinoma epidermoide, e ambos são mais frequentes nos homens do que nas mulheres.
Os cânceres de pele não melanoma são de bom prognóstico, com altas taxas de cura se tratados de forma precoce e adequada. Contudo, situações nas quais há demora no diagnóstico podem acarretar ulcerações na pele e deformidades físicas graves.
O câncer de pele melanoma é menos frequente do que os outros tumores de pele. Também é mais frequente em populações de pele clara e expostas à radiação solar. Indivíduos de pele escura possuem menor risco de apresentá-lo. Seu prognóstico é bom para os tumores localizados, enquanto, para melanomas metastáticos, é reservado.
No Brasil, o câncer de pele não melanoma é o tumor mais incidente em ambos os sexos. É provável que exista um sub-registro dessa neoplasia, em função do subdiagnóstico. Consequentemente, as estimativas das taxas de incidência e dos números esperados de casos novos em relação a esse tipo de câncer devem ser consideradas como estimativas mínimas.
Ações de prevenção primária, como a proteção individual contra a luz solar, são altamente efetivas e de custo relativamente baixo para a prevenção do câncer de pele, inclusive dos melanomas. A educação em saúde para a população e a promoção de ambientes que propiciem a proteção contra as radiações solares, principalmente nos ambientes de trabalho e lazer, também são efetivas para a coletividade. É recomendável que o indivíduo sob risco procure um dermatologista ao primeiro sinal de surgimento de novas manchas ou sinais na pele, ou modificações na cor, tamanho e bordas de lesões antigas, permitindo identificar possíveis cânceres precocemente.

Tumores pediátricos


Estimam-se, para o Brasil, no ano de 2014, 394.450 casos novos de câncer, excluindose os tumores de pele não melanoma. Como o percentual mediano dos tumores pediátricos observado nos RCBP brasileiros encontra-se próximo de 3%, depreende-se, portanto, que ocorrerão cerca de 11.840 casos novos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos. As regiões Sudeste e Nordeste apresentarão os maiores números de casos novos, 5.600 e 2.790, respectivamente, seguidas pelas regiões Sul (1.350 casos novos), Centro-Oeste (1.280 casos novos) e Norte (820 casos novos).
Para o cálculo do número estimado de tumores pediátricos, para o ano de 2014, optou-se por considerar apenas os valores estimados para todas as neoplasias, sem incluir os tumores de pele não melanoma, justificado por sua magnitude em adultos diferir tanto da observada em crianças e adolescentes.

Comentário

Considerada uma doença rara, o câncer infantojuvenil (crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos) corresponde a entre 1% e 3% de todos os tumores malignos na maioria das populações. Apresenta características histopatológicas próprias. Por isso, o câncer que acomete crianças e adolescentes deve ser estudado separadamente daqueles que acometem os adultos, principalmente no que diz respeito ao comportamento clínico. Esses cânceres têm, na sua maioria, curtos períodos de latência, são mais agressivos, crescem rapidamente, porém respondem melhor ao tratamento e são considerados de bom prognóstico. Desse modo, as classificações utilizadas para os tumores pediátricos são diferentes daquelas utilizadas para os tumores nos adultos, sendo a morfologia a principal característica observada.
O Brasil ainda é um país que possui população jovem. As informações do último censo (Censo demográfico 2010) mostram que cerca de 30% da população brasileira encontra-se abaixo dos 19 anos.
Existe uma variação na proporção dos vários tipos de câncer infantojuvenil nas populações. Em alguns países em desenvolvimento, onde a população de crianças chega a 50%, a proporção do câncer infantil representa de 3% a 10% do total de neoplasias. Já nos países desenvolvidos, essa proporção diminui, chegando a cerca de 1%. A mortalidade também possui padrões diferentes. Enquanto nos países desenvolvidos o óbito por neoplasia é considerado a segunda causa de morte na infância, correspondendo a cerca de 4% a 5% (crianças de 1 a 14 anos), em países em desenvolvimento, essa proporção é bem menor, cerca de 1%, porque as mortes por doenças infecciosas são as principais causas de óbito.
No Brasil, em 2011, ocorreram 2.812 óbitos por câncer em crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos). As neoplasias ocupam a segunda posição (7%) de óbitos de crianças e adolescentes (de 1 a 19 anos) em 2011, perdendo somente para óbitos por causas externas, configurando-se como a doença que mais mata.
Os fatores etiológicos para o câncer infantil são objeto de estudo em diversas pesquisas. As exposições ambientais são de difícil avaliação em crianças, em razão dos problemas no controle de exposição pessoal no ambiente da criança, e porque muitos riscos são onipresentes em níveis baixos. Entre as exposições relacionadas ao ambiente, estão os agentes físicos, químicos e biológicos. Além disso, por ter seu início cedo na vida, exposição a fatores ambientais pode ser determinante para o desenvolvimento do câncer infantil, diferentemente dos adultos. Na criança na primeira infância, essa exposição se dá de forma indireta, ou seja, o contato com os adultos é muito importante como via da exposição. Poucos estudos apresentaram exposição ambiental como fator causal do câncer na infância. Em geral, as exposições durante a vida intrauterina são consideradas o fator de risco mais conhecido na etiologia desse grupo de neoplasias.
O tipo de câncer infantojuvenil mais comum na maioria das populações é a leucemia (cerca de 25% a 35%). Os Linfomas correspondem ao terceiro tipo de câncer mais comum em países desenvolvidos. Já nos países em desenvolvimento, são o segundo, ficando atrás apenas das leucemias. Os tumores de sistema nervoso ocorrem principalmente em crianças menores de 15 anos, com um pico na idade de 10 anos. Estima-se que cerca de 8% a 15% das neoplasias pediátricas sejam representadas por esse grupo, sendo o mais frequente tumor sólido na faixa etária pediátrica.


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