quarta-feira, 3 de setembro de 2014




Tumor na mama tem origem nas células que formam os dutos mamários (Foto: BBC)



Cientistas dizem ter descoberto origem do câncer de mama

Tumor nasce a partir de mau funcionamento de células localizadas nos ductos mamários.

Em sua essência, o câncer é uma célula entre milhões de outras que começa a funcionar mal. No caso do câncer de mama, na maioria das vezes essa célula maligna fica nos ductos que levam o leite da glândula mamária até o mamilo. Mas, por que ali e não em outra parte? O que há nesta região?
David Gilley, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e Connie Eaves, do Laboratório Terry Fox da Agência para o Câncer em Vancouver, no Canadá, ficaram perplexos ao descobrir a resposta.
Em seu estudo, publicado na revista especializada "Stem Cell Reports", eles explicam como descobriram que todas as mulheres - propensas ou não a desenvolver câncer de mama - têm uma classe particular de células-mãe com telômeros (estruturas que formam as extremidades do cromossomo) extremamente curtos.
Os cientistas se deram conta de que estes cromossomos, com as extremidades tão pequenas, fazem com que as células fiquem mais propensas a sofrer mutações que podem desenvolver o câncer.
Diferentemente de muitos estudos sobre o câncer, a investigação se deu em mulheres normais que doaram seus tecidos após terem se submetido a uma operação de redução de seios por razões estéticas.
"O que procurávamos eram possíveis vulnerabilidades em células normais que fizeram com que se tornassem malignas", explicou Gilley à BBC Mundo.
Prevenção
Eles explicam que as células-mãe se dividem em células chamadas de diferenciadas ou finais, que, por sua vez formam o ducto mamário. E é nessas células em que se origina o câncer de mama, afirmam os especialistas.
Eles observaram que quando os telômeros dessas células finais perdem sua função - que é a de manter a estrutura do cromossomo, evitando que suas extremidades se juntem ou combinem com os outros - pode ocorrer é "um verdadeiro caos" no ciclo celular que se segue.
Apesar de todas as mulheres terem células com telômeros bem curtos, nem todas desenvolvem câncer de mama. Em alguns casos, porém, a multiplicação dessas células pode funcionar mal e produzir uma célula maligna, explica Gilley.
Para os especialistas, o estudo lhes permite entender o que está por trás do início do câncer de mama e estabelecer marcadores que sirvam de parâmetros para exames a partir de amostras de tecidos e sangue, e poder monitorar todas as mulheres, especialmente as que têm alto risco de desenvolver o câncer.
"O que tentamos fazer foi olhar o câncer de uma forma distinta, nos focando em como começa", explica Gilley. "Porque uma vez que o tumor se desenvolve, particulramente em alguns tipos de câncer de mama, não há muito o que se pode fazer".



domingo, 24 de agosto de 2014

câncer
  


   Como diminuir o risco de desenvolver câncer de mama 
A prevenção do câncer de mama pode ser dividida em três partes:
  • Prevenção primária: tudo aquilo que pode ser feito para evitar a ocorrência do câncer
  • Prevenção secundária: diagnóstico precoce e prevenção da recorrência (recidiva)
  • Prevenção terciária: medidas para minimizar o impacto da doença já estabelecida, na qualidade de vida das pessoas.
Abordaremos aqui apenas a prevenção primária e secundária.

Prevenção primária

O câncer de mama é em parte decorrente de uma série de fatores de risco:
  • Idade avançada
  • Predisposição genética hereditária
  • História familiar
  • Menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia
  • Radioterapia prévia na região do tórax
  • Mamas mais densas
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Etilismo (alcoolismo)
  • Tabagismo
  • Uso de reposição hormonal (reposição de hormônios após a menopausa)
Dentre estes, constam fatores que podem ser considerados fatores modificáveis e outros não modificáveis (idade, história familiar, mamas densas).
Dentre os fatores modificáveis, você pode ajudar a prevenir o câncer mantendo um peso saudável (obesidade aumenta o risco), uma dieta balanceada, fazendo atividade física, não fumando, não ingerindo bebidas alcoólicas em excesso.
Além disso, para mulheres na menopausa, é aconselhável não fazer reposição hormonal, ou fazê-lo sob orientação estrita de um médico.
Havendo fatores não modificáveis, o que pode e deve ser feito é uma investigação (no caso de haver história familiar de câncer de mama e/ou ovário), para identificar a possível presença de uma predisposição genética hereditária, e com base nesta avaliação (veja o item sobre risco), poder tomar decisões sobre intervenções redutoras de risco, discutidas abaixo.
Esta avaliação e a decisão de fazer testes genéticos, somente devem ocorrer após uma orientação adequada, geralmente feita por um oncogeneticista.
Embora seja difícil quantificar a diminuição do risco de câncer de mama especificamente promovida por uma intervenção como, por exemplo, perda de peso, vale ressaltar que todas as intervenções em fatores modificáveis trazem também benefícios para a saúde em outras esferas, não apenas no câncer de mama.
Além destas medidas de intervenção em fatores de risco, existe a intervenção medicamentosa redutora do risco. Nesta estratégia, mulheres com um risco calculado maior que o da população geral, podem tomar Tamoxifeno ou Raloxifeno por 5 anos, sendo que estas medicações reduzem de maneira significativa o risco de se desenvolver câncer de mama, e esta redução perdura por vários anos, mesmo após o término dos 5 anos de medicação.
Lamentavelmente, esta prevenção medicamentosa ocorre às custas de efeitos colaterais frequentemente mal aceitos pelas mulheres (ondas de calor, suodorese exacerbada, retenção de líquido).

Pacientes com predisposição genética (hereditária) ao câncer de mama

Há alguns aspectos na história pessoal e familiar de pacientes que nos fazem pensar na possibilidade de uma predisposição genética.
São estes fatores:
  • Câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos em parentes de primeiro ou segundo grau;
  • História de parentes com câncer de mama e/ou de ovário;
  • Familiar com câncer de mama em ambas as mamas; ascendência judia Aschkenazi (leste europeu);
  • Parente homem com câncer de mama.
Embora haja diversas mutações genéticas hereditárias que podem predispor ao desenvolvimento de câncer de mama (entre outros tipos de câncer), aquelas mais frequentemente associadas ao câncer de mama (e de ovário) são as mutações nos genes denominados BRCA1 e BRCA2. Apenas algo em torno de 10% dos casos de câncer de mama diagnosticados são consequência destas mutações, mas para uma pessoa que tenha uma destas mutações, o risco de desenvolver câncer de mama (e/ou ovário) ao longo da vida é de mais de 50%.
Assim, quando se sabe que uma mulher é portadora de uma destas mutações, é necessária uma discussão aberta sobre medidas de prevenção, que podem ir desde um seguimento mais frequente e com exames mais sofisticados (como ressonância nuclear magnética das mamas), passando por medicações como Tamoxifeno, até cirurgias redutoras de risco (mastectomia profilática e/ou retirada profilática dos ovários).

Prevenção secundária

Aqui entram estratégias de rastreamento populacional assim como estratégias individualizadas em função de história familiar ou pessoal.
O rastreamento mais comum é a mamografia, que nada mais é que um raio-X em duas incidências de cada uma das mamas. Recomendamos que a mamografia seja feita a partir dos 40 anos de idade de maneira anual, em linha com o que é proposto pela American Cancer Society. Não há idade limite para a realização de mamografia, sendo que o bom senso dita que quando uma mulher tiver uma expectativa de vida curta, não mais faz sentido rastrear o câncer de mama.
ultrassom das mamas serve como complemento à mamografia, pois ajuda a diferenciar cistos (conteúdo líquido, raramente canceroso) de nódulos, mal diferenciados na mamografia.
ressonância nuclear magnética (RNM) é recomendada para o rastreamento apenas em populações de alto risco, como pacientes com uma história familiar suspeita de predisposição genética, pacientes sabidamente com predisposição genética ao câncer ou pacientes que já tiveram um primeiro câncer de mama. Nas pacientes com alto risco definido com base em história familiar ou genética, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 30 anos de idade.
Mamografia, ultrassom e RNM podem ser laudados com referência a uma classificação chamada de Bi-RADS. A lista abaixo indica o significado e a conduta em cada caso, com base no Bi-RADS:
CategoriaSeguimento proposto
Zero – Indica necessidade de imagens adicionaisImagens adicionais (MMG ou RNM)
1 – Negativa: sem anormalidadesSeguimento anual
2 – Benigno: alterado, mas não suspeitoSeguimento anual
3 – Provavelmente benignoMamografia após 6 meses
4 – Alteração suspeita, provavelmente benignaNecessita biópsia
5 – Altamente suspeito para malignidadeNecessita biópsia
6 – Sabidamente malignoBiópsia com diagnóstico de câncer
Assim como na prevenção primária, em casos onde a mulher já teve um câncer de mama ou uma doença pré-cancerosa (também denominado de carcinoma in-situ) com determinadas características (presença dos chamados receptores hormonais no tumor), está indicada uma prevenção secundária com Tamoxifeno (ou uma classe de medicações denominada Inibidores de Aromatase, se a mulher tiver tido um câncer).
Neste caso, a medicação tem por objetivo reduzir o risco de aparecimento de um novo tumor (seja maligno, seja pré-canceroso) na mesma mama, assim como na mama contralateral.

Prevenção terciária

Consiste em intervenções com objetivo de minimizar a perda de qualidade de vida decorrente da doença. Este tópico está discutido na sessão de tratamento.
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Quem procurar
Uma mulher que queira prevenir o câncer de mama deve, antes de mais nada, ter um médico (ginecologista, mastologista, geriatra) com o qual possa discutir esta preocupação.
Com base na idade da paciente, na sua história familiar, e na presença e gravidade de outras doenças que ela possa ter, este médico pode propor estratégias diferentes de prevenção.
Em linhas gerais, porém, a prevenção consiste em:
  • Exame anual das mamas por um profissional de saúde;
  • Mamografia anual ou bianual, a partir dos 40 anos de idade (em mulheres com risco equivalente ao da população geral).
Para mulheres identificadas como tendo um risco maior que o da população geral (com base em história familiar de outros casos de câncer de mama e/ou ovário), a recomendação pode ser por uma estratégia de rastreamento ainda mais precoce, e até o encaminhamento para um Oncogeneticista.
Este profissional pode, a partir de uma elaborada história familiar e de um heredograma (árvore da família no que tange a outros casos de câncer), calcular o risco de uma paciente desenvolver câncer, com base em vários modelos matemáticos.
Com o resultado deste risco calculado, pode então ser necessário o encaminhamento para um mastologista que pode propor uma cirurgia redutora de risco, ou para um oncologista que poderá propor medidas medicamentosas para prevenção.
No Brasil, onde a Mamografia de rastreamento é recomendada pelo Ministério da Saúde a partir dos 50 anos (o ideal seria a partir dos 40 anos), toda mulher a partir desta idade deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para solicitar o exame das mamas por um profissional médico e uma Mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos de idade, que procurarem uma Unidade Básica de Saúde, têm amparo na lei (lei 11664/08) para solicitar que seja feita mamografia de rastreamento, apesar da  falta de recomendação formal pelo Ministério da Saúde.
Além disso, se ao autoexame (falamos hoje muito mais em autoconhecimento das mamas), a mulher notar uma alteração nova, ela deve procurar o médico (ginecologista, mastologista, clínico geral, geriatra ou oncologista).
Este deverá fazer o exame clínico das mamas e solicitar a mamografia independentemente da idade da paciente.

Novidades no tratamento do câncer de mama

Pesquisas com novas medicações no tratamento do câncer de mama metastático trazem notícias muito encorajadoras.

Os novos dados se referem tanto a mulheres cujos tumores apresentam receptores hormonais quanto a mulheres cujos tumores hiperexpressam Her2. Em conjunto, estes avanços deverão acrescentar boas opções de tratamento para mais de 70% das mulheres com câncer de mama metastático.
Segue breve descrição sobre estes avanços:

Everolimus + Exemestano

Estudo da associação de medicação denominada Everolimus com hormonioterapia em segunda linha denominado Exemestano mostrou que esta combinação prolongava de maneira muito significativa o tempo que uma mulher permanece livre de progressão da doença (e portanto o tempo que esta mulher consegue adiar o início da quimioterapia, após falha da hormonioterapia).
Mulheres que receberam Exemestano apenas tiveram controle da doença por 4,1 meses na mediana, enquanto aquelas que receberam a associação de Exemestano com Everolimus (oral) tiveram controle por 10,6 meses. A combinação foi bem tolerada, com raros casos de efeitos colaterais graves.
Com base nestes resultados, é muito provável que no futuro próximo comecemos a usar esta associação de Everolimus com hormonioterapia em mulheres com câncer de mama metastático receptor positivo.
Referêcia: Baselga, N Engl J Medicine 2011

Trastuzumabe e quimioterapia

Mulheres cuja doença expressa a proteína Her2 em excesso se beneficiam de maneira muito significativa da associação da medicação Trastuzumabe (um anticorpo anti-Her2) à quimioterapia, tanto na doença metastática, quanto no tratamento adjuvante (pós-operatório, com intuito curativo).
Um novo estudo, publicado no início de dezembro, mostra que a associação de outro anticorpo anti-Her2, denominado de Pertuzumabe, quando associado ao Trastuzumabe e quimioterapia, pode promover grande benefício para mulheres com câncer de mama metastático.
O grupo de mulheres que recebeu a combinação de Pertuzumabe, Trastuzumabe e quimioterapia teve controle da doença por 18,5 meses, contra 12,4 meses no grupo que recebeu “apenas” Trastuzumabe e quimioterapia. Este aumento representa um avanço gigantesco do ponto de vista oncológico, no contexto da doença destas pacientes e deverá mudar a forma pela qual tratamos câncer de mama Her2-positivo no futuro próximo.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Alimentação

Comer muita carne vermelha pode aumentar risco de câncer de mama

Pesquisa de Harvard mostrou que probabilidade por ser 22% maior entre mulheres que consomem mais de seis porções do alimento por dia

Consumo de carne vermelha pode estar relacionado a risco de câncer de mama, diz estudo
Consumo de carne vermelha pode estar relacionado a risco de câncer de mama, diz estudo (Thinkstock/VEJA)
Uma nova pesquisa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, sugere que uma alimentação rica em carne vermelha ajuda a elevar o risco de câncer de mama. Inversamente, substituir a carne vermelha por frango, peixe ou leguminosas ao menos uma refeição por dia diminui essa probabilidade.
Estudos já haviam sugerido que uma dieta rica em proteína pudesse favorecer o desenvolvimento do câncer de mama. Porém, como as fontes de proteína na alimentação são muito variadas, era possível supor que cada alimento proteico tivesse um efeito distinto sobre a doença.

Mamografia 3D é mais eficaz do que a convencional, confirma estudo

Técnica associa mamografia convencional a exame de imagem tridimensional. Pesquisa concluiu que abordagem reduz diagnósticos falsos em 15%

Câncer de mama: Brasil terá 57.000 novos casos em 2014, diz Inca
A mamografia tridimensional é capaz de detectar um maior número de tumores na mama e realiza menos diagnósticos errados em comparação com o exame convencional. Essas são as conclusões de um amplo estudo clínico publicado nesta quarta-feira no periódico Journal of the American Medical Association (Jama).A técnica 3D combina a mamografia digital convencional com a tomossíntese, exame que reconstrói a imagem da mama a partir de vários pontos diferentes e, portanto, de forma mais detalhada e precisa. Tanto a mamografia convencional quando a associada à tomossíntese são realizadas de forma similar, em um mesmo equipamento e a diferença entre a duração de cada exame é mínima. A técnica já é aprovada no Brasil.
De acordo com a pesquisa, a mamografia 3D aumenta em 29% a detecção de cânceres mamários em relação ao exame bidimensional. Se levados em consideração apenas os tumores mais agressivos, a diferença chega a 41%. Além disso, a técnica parece reduzir em 15% a taxa de diagnóstico errado, tanto falso positivo quanto falso negativo.
O novo estudo foi coordenado por Sarah Friedwald, médica do Advocate Lutheran General Hospital, no estado americano de Illinois. Segundo os autores, essa é a maior pesquisa realizada até agora sobre a eficácia da tomossíntese.

terça-feira, 12 de agosto de 2014




Sobre o Câncer Câncer Colorretal


O câncer do intestino grosso, chamado também de câncer de cólon e de reto ou colorretal, é uma doença que atinge indistintamente homens e mulheres. 

Em sua maioria, o câncer colorretal se desenvolve gradativamente por uma alteração nas células que começam a crescer de forma desordenada sem apresentar qualquer sintoma. 

Por esse motivo, a detecção precoce é fundamental. Quanto mais cedo é diagnosticada, maiores as chances de cura da doença.

Crescimentos Anormais no Cólon ou no Reto

A maioria dos cânceres colorretais se desenvolve lentamente por vários anos. Antes de ser câncer a doença começa com o crescimento de tecido, geralmente um pólipo não cancerígeno, no revestimento interno do cólon ou do reto. Um tumor é um tecido anormal e pode ser benigno ou maligno. Um pólipo é benigno, mas alguns pólipos podem se transformar em câncer. A chance dessa transformação depende do tipo de pólipo:

  • Pólipos Adenomatosos (Adenomas) – São pólipos que podem se transformar em câncer. Devido a isso, os adenomas são considerados uma condição pré-cancerígena.

  • Pólipos Hiperplásicos e Pólipos Inflamatórios - Em geral, não são pré-cancerígenos. Alguns médicos acreditam que os pólipos hiperplásicos podem se tornar pré-cancerígenos ou ainda ser um sinal do desenvolvimento de um adenoma, particularmente quando estes pólipos estão no cólon ascendente.

Outro tipo de lesão pré-cancerígena é a displasia. Displasia é uma área no revestimento do cólon ou do reto, onde as células parecem anormais, mas quando analisadas sob um microscópio se trata apenas de células normais. Entretanto estas células podem se transformar em câncer com o tempo. A displasia é geralmente detectada em pessoas que tiveram doenças, como colite ulcerativa ou doença de Crohn por muitos anos. Tanto a colite ulcerativa e a doença de Crohn causam inflamação crônica no cólon.

Tipos de Câncer Colorretal

Existem vários tipos de câncer que se iniciam no cólon ou no reto:

  • Adenocarcinomas - Os adenocarcinomas representam mais de 95% dos cânceres colorretais. Se iniciam nas células que produzem o muco que lubrifica o interior do cólon e do reto.

  • Tumores Carcinoides - Estes tumores começam nas células do intestino que produzem hormônios específicos. .

  • Tumores Estromais Gastrointestinais (GIST) - Começam a partir de células específicas na parede do intestino denominadas células intersticiais de Cajal. Alguns são benignos, outros são malignos. Estes tumores podem ser encontrados em qualquer parte do trato digestivo, e são incomuns no cólon.

  • Linfomas – São cânceres das células linfáticas como nos linfonodos, mas também podem se iniciar no cólon, no reto ou em outros órgãos.

  • Sarcomas - Estes tumores podem se iniciar nos vasos sanguíneos, no tecido muscular ou conjuntivo na parede do cólon e do reto. Os sarcomas do cólon ou do reto são raros.

Causas do Câncer Colorretal

A causa da maioria dos casos de câncer de intestino ou colorretal ainda é desconhecida, mas muitas pesquisas estão sendo realizadas nesta área.

Existe atualmente, alguns progressos na compreensão de como certas mutações no DNA podem fazer com que células normais se tornem cancerígenas. O DNA contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todas as células. Normalmente, as pessoas se parecem com seus pais, porque eles são a fonte de seu DNA. Entretanto, o DNA também pode influenciar o risco de desenvolver certas doenças, como alguns tipos de câncer.

Alguns genes contêm instruções para controlar o crescimento e divisão das células. Os genes que promovem a divisão celular são chamados oncogenes. Os genes que retardam a divisão celular ou levam as células a morte no momento certo são chamadas de genes supressores de tumor. Os cânceres podem ser causados ​​por alterações do DNA que se transformam em oncogenes ou desativam os genes supressores de tumor. Mutações em vários genes diferentes parecem ser necessárias para causar o câncer colorretal.

Estas alterações genéticas podem ser herdadas de um dos pais ou adquiridas durante a vida de uma pessoa, se as células do corpo cometerem "erros”, se dividindo para formar duas novas células:

  • Mutações Genéticas Herdadas

Alguns cânceres colorretais são causados por mutações genéticas, hoje, já se conhecem muitas dessas mutações no DNA e seus efeitos sobre o crescimento das células.

As síndromes hereditárias mais comuns associadas ao câncer colorretal são: polipose adenomatosa familiar, câncer colorretal hereditário sem polipose, síndrome de Gardner, síndrome de Turcot, síndrome de Peutz-Jeghers e polipose MUTYH.

Os exames genéticos podem detectar as alterações genéticas associadas com estas síndromes hereditárias. Se você tiver histórico familiar de pólipos ou câncer colorretal ou outros sintomas ligados a essas síndromes, converse com seu médico sobre aconselhamento e exames  genéticos.

  • Mutações Genéticas Adquiridas

A maioria das mutações do DNA relacionadas ao câncer colorretal não são herdadas, mas adquiridas durante a vida de uma pessoa. Existem alguns fatores de risco que provavelmente desempenham um papel importante nas mutações adquiridas, mas até agora não existe comprovação específica de qualquer mutação que cause o câncer colorretal.

Em muitos casos, a primeira mutação ocorre no gene APC, causando aumento do crescimento de células do intestino grosso devido à perda desse "freio” no crescimento celular. Outras mutações podem então ocorrer em genes como KRAS, TP53 e SMAD4. Essas alterações podem levar às células a um crescimento e disseminação de forma incontrolável. Outros genes ainda não descobertos quanto a sua participação provavelmente também estão envolvidos.

Crescimentos Anormais no Cólon ou no Reto

A maioria dos cânceres colorretais se desenvolve lentamente por vários anos. Antes de ser câncer a doença começa com o crescimento de tecido, geralmente um pólipo não cancerígeno, no revestimento interno do cólon ou do reto. Um tumor é um tecido anormal e pode ser benigno ou maligno. Um pólipo é benigno, mas alguns pólipos podem se transformar em câncer. A chance dessa transformação depende do tipo de pólipo:

  • Pólipos Adenomatosos (Adenomas) – São pólipos que podem se transformar em câncer. Devido a isso, os adenomas são considerados uma condição pré-cancerígena.

  • Pólipos Hiperplásicos e Pólipos Inflamatórios - Em geral, não são pré-cancerígenos. Alguns médicos acreditam que os pólipos hiperplásicos podem se tornar pré-cancerígenos ou ainda ser um sinal do desenvolvimento de um adenoma, particularmente quando estes pólipos estão no cólon ascendente.

Outro tipo de lesão pré-cancerígena é a displasia. Displasia é uma área no revestimento do cólon ou do reto, onde as células parecem anormais, mas quando analisadas sob um microscópio se trata apenas de células normais. Entretanto estas células podem se transformar em câncer com o tempo. A displasia é geralmente detectada em pessoas que tiveram doenças, como colite ulcerativa ou doença de Crohn por muitos anos. Tanto a colite ulcerativa e a doença de Crohn causam inflamação crônica no cólon.

Perguntas para o Médico sobre o Câncer Colorretal

O diagnóstico do câncer cria muitas dúvidas e inseguranças. Anote sempre as suas e pergunte para seu médico. 

Algumas sugestões de perguntas a serem feitas:

  • Que tipo de câncer colorretal eu tenho?
  • Onde o tumor está localizado?
  • Este é um câncer hereditário?
  • É necessária a realização de exames adicionais ou biópsias?
  • O resultado demora muito para sair?
  • Qual é o estadiamento da minha doença? O que isso significa?
  • Você pode me explicar o laudo de patologia?
  • Quais as opções de tratamento disponíveis para o meu caso?
  • Qual o tratamento que você recomenda? Por quê?
  • Qual é o objetivo do meu tratamento?
  • Quanto tempo dura o tratamento?
  • Quais são os possíveis efeitos colaterais do tratamento a curto e longo prazo?
  • O que pode ser feito para diminuir os efeitos colaterais?
  • De que forma o tratamento afetará minhas atividades do dia a dia?
  • Quais os efeitos colaterais dos medicamentos utilizados no tratamento?
  • Como o tratamento será planejado? Que tipos de exames serão realizados?
  • Será necessário fazer radioterapia?
  • Onde será feita a radioterapia?
  • Qual a frequência da radioterapia?
  • É possível fazer quimioterapia e radioterapia ao mesmo tempo?
  • Meu tipo de câncer permite tratar cirurgicamente? Por quê?
  • Com que frequência devo fazer as consultas de retorno?
  • O que é colostomia? Será necessária no meu caso?
  • Poderei voltar a realizar minhas atividades normalmente?
  • Quais são as chances do câncer voltar?

É muito importante perguntar e esclarecer todas suas dúvidas, a informação é um direito seu!

Com que Médico devo me Consultar?

Coloproctologista é o médico especialista nas doenças do intestino, reto e ânus. O coloproctologista deve ser consultado na presença de um dos seguintes sintomas:

  • Presença de sangue nas fezes.
  • Sangramento anal seja em pequena ou grande quantidade.
  • Dificuldade ao evacuar.
  • Dor ou cólica abdominal sem motivo específico.
  • Ardência ou coceira anal.
  • Diarreia de longa data.
  • Histórico de câncer colorretal na família.

Deve ser lembrado que pessoas com mais de 50 anos de idade podem consultar um coloproctologista para determinar o risco de desenvolver câncer colorretal. A incidência de casos é maior em pessoas com mais de 50 anos.

Sinais e Sintomas do Câncer Colorretal

A maioria dos casos, em estágio inicial, de câncer colorretal não apresentam quaisquer manifestações clínicas. Por isso, é importante ficar atento a qualquer mudança, sinal ou sintoma diferente. Converse com seu médico ou consulte um coloproctologista em caso de apresentar:

  • Diarreia ou constipação.
  • Sensação de que o intestino não é completamente esvaziado.
  • Presença de sangue nas fezes.
  • Dor abdominal tipo cólica, sensação de inchaço abdominal.
  • Perda de peso sem um motivo específico.
  • Cansaço e fadiga constante.
  • Náuseas e vômitos.

Estes sintomas também estão relacionados a outras doenças, não são necessariamente sinais e sintomas exclusivos do câncer colorretal. Entretanto, existindo qualquer um desses sintomas, um médico deverá ser consultado para o diagnóstico preciso e o início do tratamento caso necessário.