quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dr. Drauzio Varella
ONCOLOGIA

A CURA DO CÂNCER

Drauzio Varella

Se um dia você ouvir que foi encontrada a cura do câncer, não leve a sério.
O que chamamos de câncer é, na verdade, um conjunto de mais de cem doenças que, em comum, têm apenas a célula maligna. Não só os tumores originados nos diversos órgãos apresentam características próprias, como aqueles oriundos de um mesmo tecido evoluem de forma variável em cada indivíduo. Por exemplo: estima-se que para um câncer de mama atingir 1cm de diâmetro pode levar de dois a 17 anos, conforme o caso. Há tumores que se disseminam pelo organismo antes de serem detectáveis pelos exames radiológicos mais sensíveis, enquanto outros de aparência idêntica, operados quando já mediam 5cm, nunca se espalham.
É evidente que a escolha do tratamento precisa levar em conta todas essas peculiaridades. Para tanto, é fundamental identificarmos fatores prognósticos: conjunto das características que dão idéia da gravidade do quadro e da probabilidade de resposta à terapêutica.
Na década de 1970, sugiram os primeiros estudos cooperativos internacionais. Neles, pesquisadores de vários centros reúnem em pouco tempo centenas, milhares de pacientes com o mesmo tipo de câncer, divididos de acordo com determinados fatores prognósticos, para distribuí-los ao acaso com a finalidade de receber esquemas de tratamento que serão comparados estatisticamente no final. Esses estudos provocaram uma revolução na cancerologia. Decidir a melhor forma de tratar alguém deixou de depender exclusivamente da impressão subjetiva do médico.
Hoje, por mais promissora que seja uma droga, só será aprovada para uso clínico caso demonstre eficácia nesses estudos internacionais com milhares de pacientes. Como consequência, dispomos de medicamentos bem avaliados, com índices de resposta previsíveis e toxicidade conhecida. Esse processo, no entanto, é caro e demorado. A indústria farmacêutica calcula que são necessários no mínimo dez anos de pesquisa
para lançar um novo produto no mercado, a um custo médio de um bilhão de dólares.
Para complicar, a experiência mostra que cada medicamento descoberto ajuda a curar apenas certos subgrupos de pacientes e a prolongar por mais alguns meses a sobrevida dos incuráveis.
Todos os tumores avançados que curamos nos dias atuais exigem combinações de várias drogas, frequentemente associadas a modalidades como cirurgia e radioterapia.
Cenário atual
Este é o cenário atual: a sociedade exige remédios eficazes e seguros, mas eles consomem tempo e dinheiro para provar sua utilidade. Num congresso internacional realizado neste mês na cidade americana de New Orleans, um pesquisador fez o cálculo de quanto gastaria um doente com câncer de intestino avançado que vivesse 18 meses à custa do uso dos principais antineoplásicos disponíveis: US$ 250 mil, sem contar gastos com analgésicos,
exames, consultas ou internações! – “Que país poderá pagar essa despesa?” – perguntou ele.
Tradicionalmente, os avanços tecnológicos ficam mais baratos à medida que se popularizam. Entretanto, isso não acontece com a maioria dos medicamentos usados em oncologia; eles entram no comércio a um preço elevado para serem logo substituídos por inovações mais caras ainda.
Prevenção e diagnóstico precoce
Como não viveremos as décadas necessárias até a ciência descobrir e testar todas as drogas necessárias, o que fazer para não morrermos de câncer?
Antes de tudo, lembrar que essa é uma doença passível de prevenção: perto de 40% dos casos são provocados por cigarro. Vida sedentária, consumo exagerado de álcool, dietas pobres em vegetais e ricas em alimentos altamente calóricos que levam à obesidade são responsáveis por mais 30% (só para citar as causas evitáveis mais importantes).
Mas, como nos defender dos tumores que surgem ao acaso ou por predisposição genética?
Nessas situações, a única solução é o diagnóstico precoce. Alguns exames, como a mamografia, permitem evidenciar tumores antes de atingirem 1cm, apresentação curável em quase 100% dos casos. Outros, como a colonoscopia, permitem não apenas visualizar o intestino por dentro e surpreender tumores iniciais, como retirar lesões na fase pré-maligna para evitar sua progressão.
Estudo das proteínas Quanto às neoplasias para as quais não existem métodos preventivos, a solução virá com o estudo das proteínas.
Os tumores malignos às vezes aumentam a produção de certas proteínas normalmente excretadas pelos tecidos normais. A detecção delas na corrente sanguínea permite o diagnóstico precoce: é o caso do PSA, o exame para detectar o câncer de próstata.
Nos tumores em que ainda não foram identificadas proteínas desse tipo, a ciência básica deverá desenvolver todo esforço para fazê-lo. A tarefa é achar uma agulha no palheiro: encontrar, no meio de cerca de um milhão de proteínas presentes no sangue, qual delas foi produzida especificamente pela célula tumoral. O conhecimento para tanto está disponível, o que falta é um Projeto Proteinoma de cooperação internacional, como foi o Projeto Genoma que identificou todos os genes humanos em 12 anos.

O conhecimento dessas proteínas exclusivas das células malignas possibilitará inquéritos populacionais com a finalidade de identificar os indivíduos que correm risco de apresentar câncer, de modo a surpreendê-lo na fase inicial. Permitirá ainda avaliar a agressividade de cada caso e a probabilidade de resposta ao tratamento proposto, para evitar o que acontece atualmente: tratarmos cem doentes com esquemas tóxicos, caríssimos, que beneficiarão apenas vinte.
Sorocaba, da dupla com Fernando, comenta acusações de seu ex-parceiro - AgNews
O cantor Sorocaba, da dupla com Fernando, falou na noite do último domingo (7) ao Domingo Espetacular, da Rede Record, sobre a polêmica envolvendo seu ex-parceiro de dupla, Humberto Santiago. No dia 29 de agosto, Humberto conquistou na Justiça o reconhecimento como sendo o coautor do nome Fernando e Sorocaba. Ele foi o primeiro parceiro a cantar com Sorocaba sob esse nome artístico, entre 2005 e 2007.
Ao programa de TV, Sorocaba afirmou que a marca foi criada por ele e explicou que o nome é uma junção de seu apelido com seu nome verdadeiro, Fernando Fakri de Assis. “Ele [Humberto] entrou nesse projeto já com a marca criada, devidamente registrada”.
Segundo o sertanejo, Humberto brigou com o empresário da dupla, além de ter problemas com o alcoolismo. “Humberto era uma pessoa difícil”, afirmou Sorocaba. Em entrevista ao mesmo programa, Santiago afirmou que, na época que saiu da dupla, recebeu apenas 15 mil reais, sendo que os shows que faziam já rendiam bem mais que isso.
Sorocaba comentou ainda o fato do processo ter sido aberto no Amapá, sendo que Humberto tem residência no Paraná e Sorocaba, na capital paulista. Inicialmente, Humberto abriu o processo na Justiça de São Paulo, mas desistiu.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Cartilha dos Direitos do Paciente com Câncer

O A.C.Camargo está há 60 anos lutando e obtendo progressos significativos no combate ao câncer. Em nossas atividades buscamos sempre oferecer a melhor assistência aliada a mais avançada tecnologia, primando pela ética, respeito e humanização.
Nessas décadas acompanhamos histórias de vida e superação. Partilhamos também das expectativas que cercam todos aqueles que se deparam com o câncer.
Para apoiar e auxiliar o paciente diagnosticado com câncer, elaboramos uma nova cartilha revisada, que reúne "Os direitos do paciente com câncer". Essa foi a forma que encontramos para demonstrar nossa preocupação também com algumas questões práticas, sociais e financeiras que os afetam.
Essa compilação de legislações trata dos direitos das pessoas portadoras de câncer e/ou de doenças graves, sendo que o seu objetivo é facilitar o entendimento e auxiliar no processo de solicitação dos benefícios previstos em lei, que podem atenuar os impactos financeiros e sociais dos pacientes oncológicos.
Dessa forma, é com satisfação que apresentamos a Cartilha dos Direitos do Paciente com Câncer, idealizada pela Superintendencia Jurídica e área de Serviço Social do A.C.Camargo Cancer Center, mantido pela Fundação Antonio Prudente.
Edição Atualizada e Revisada.
Abril/2009

Copyright A.C.Camargo Cancer Center - Fundação Antonio Prudente
Lino José Rodriques Alves et al

Combata o Câncer com Sorriso - Denise Aguila



Mama

A mama é constituída por estruturas produtoras de leite (lóbulos), ductos, que são pequenos canais que ligam os lóbulos ao mamilo; gordura, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e vasos linfáticos.
Vasos linfáticos são semelhantes aos vasos sanguíneos, só que em vez de sangue, transportam linfa, um líquido que contém células do sistema de defesa, gordura e proteínas. Ao longo dos vasos linfáticos há pequenos órgãos em forma de feijões, ou gânglios ou nódulos linfáticos ou ainda linfonodos, que armazenam glóbulos brancos chamados linfócitos. A maioria dos vasos linfáticos da mama leva a gânglios linfáticos situados nas axilas, denominados nódulos ou gânglios axilares. Se as células cancerosas atingirem esses gânglios, a probabilidade de que a doença se espalhe para outros órgãos é maior.
A maioria dos cânceres de mama começa nos ductos (carcinomas ductais), alguns têm início nos lóbulos (carcinoma lobular) e os demais nos outros tecidos.

O câncer de mama é o mais incidente nas mulheres, atrás apenas dos casos de câncer de pele não melanoma. Para 2014 a estimativa é de 57.120 novos casos.

Saiba mais sobre o câncer de mama:

O que causa o câncer de mama?
O câncer de mama é causado por alterações genéticas, estas alterações podem ser estimuladas por fatores ambientais como: tabagismo, uso de hormônios (TRH – terapia de reposição hormonal), inicio da menstruarão em idade muito jovem, menopausa em idade mais tardia, menor numero de gravidez e gravidez em idade cada vez mais tardia, excesso de peso e ingestão de bebida alcoólica ou também por fatores genéticos.
Quais os principais tipos de câncer de mama?
  • Carcinoma ductal in situ – consiste em um câncer de mama em fase inicial, que a principio, não teria capacidade de desenvolver metástase
  • Carcinoma ductal invasivo – é o tipo mais comum de câncer de mama. Apresenta capacidade de desenvolver metástase
  • Carcinoma lobular invasivo – é o segundo tipo mais comum de câncer de mama e está relacionado ao risco de desenvolvimento de câncer de mama na outra mama e também ao câncer de ovário. Apresenta a possibilidade de desenvolver metástase
Quais são os tipos de lesões pré-cancerígenas?
As lesões mamárias que predispõem a câncer de mama são:
  • Carcinoma Lobular in situ ou Neoplasia Lobular
  • Hiperplasia ductal atípica
  • Hiperplasia lobular atípica
Homem pode ter câncer de mama?Sim. O desenvolvimento do câncer de mama em homens está relacionado à presença de histórico de câncer na família, síndromes de predisposição genética, radioterapia em região torácica, dentre outros.
O uso de exames preventivos aumentou bastante o número de casos de câncer identificados antes de causar sintomas.
Quais os sintomas do câncer de mama?
O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de um caroço. Nódulos que são indolores, duros e irregulares têm mais chances de ser malignos, mas há tumores que são macios e arredondados. Portanto, é importante ir ao médico. Outros sinais de câncer de mama incluem:
  • Inchaço em parte do seio.
  • Irritação da pele ou aparecimento de irregularidades na pele, como covinhas ou franzidos, ou que fazem a pele se assemelhar à casca de uma laranja.
  • Dor no mamilo ou inversão do mamilo (para dentro).
  • Vermelhidão ou descamação do mamilo ou pele da mama.
  • Saída de secreção (que não leite) pelo mamilo.
  • Dor no mamilo ou inversão do mamilo (para dentro).
  • Um caroço nas axilas.
Quais os sintomas do câncer de mama no homem?
De forma semelhante ao câncer de mama feminino, este tumor no homem é assintomático na sua fase inicial. O sintoma mais comum é o aparecimento e rápido crescimento de um nódulo (caroço) na mama. Outros sintomas podem ser: retração ou edema da pele, secreção pelo mamilo e dor que só aparecerá em fases mais avançadas da doença.
Exames de Rastreamento
Consistem em modalidade de exames de imagem que tem a finalidade de detectar um tumor em fase inicial antes de ser percebido pelo médico ou pela própria paciente.
O principal exame de rastreamento para câncer de mama é a mamografia e que em alguns casos poderá ser complementada por ultrassonografia ou ressonância magnética de mamas.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que as mulheres iniciem a mamografia a partir dos 40 anos e com periodicidade anual. Em algumas circunstâncias a idade deverá ser antecipada bem como a frequência de acordo a indicação medica.

Como é feito o diagnostico das lesões pré-cancerígenas?
O diagnóstico destas lesões é feito com base em alterações na mamografia ou ultrassonografia, por meio de algum tipo de biopsia -  biopsia de agulha grossa ou mamotomia associada ou não a biopsia cirúrgica.

O que significa BI-RADS?
O sistema BI-RADS (Breast Image Reporting and Data System) é o nome de um sistema de padronização de laudos de exames de imagem de mama podendo ser aplicado a alterações na mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. De uma forma geral cada classificação significa:
  • Categoria zero: exame não conseguiu caracterizar alterações. Necessita de outros exames complementares.
  • Categoria 1: significa exame normal. Recomendado controle em 1 ano.
  • Categoria 2: significa presença de alterações benignas, sem risco de câncer. Recomendado controle em 12 meses.
  • Categoria 3: significa alterações provavelmente benignas. Risco de câncer de 3%. Recomendado controle em 6  meses.
  • Categoria 4: significa alterações suspeita para malignidade. Risco de câncer de 20%. Necessita de realização de biópsia e avaliação anatomopatológica.
  • Categoria 5: significa alterações provavelmente maligna. Risco de câncer de 95%. Indicado ressecção cirúrgica podendo ser realizado alguma modalidade de biopsia pré-operatória.
  • Categoria 6: significa lesão já biopsiada e com diagnostico de câncer. Pode ser usada para classificação dos achados de uma mamografia de monitoramento após quimioterapia neoadjuvante.
Quais os tipos de biópsias disponíveis?
As biópsias mamárias são indicadas quando temos alguma alteração no exame clínico ou quando encontramos alterações nos exames de imagem. Os principais tipos são:
  • Punção aspirativa de agulha fina (PAAF): utilizada principalmente para a aspiração de cistos podendo ser utilizada para avaliação de nódulos
  • Biopsia de agulha grossa ou core biopsy: utilizada principalmente para nódulos sólidos maiores de 5 mm
  • Mamotomia: utilizada principalmente para áreas de microcalcificações. Permite a colocação de clipe metálico na mama
  • Biopsia cirúrgica: consiste na realização de ressecção por meio de cirurgia. É utilizada quando a lesão é  suspeita de câncer (BIRADS 5), quando as outras modalidades de biopsias forem inconclusivas ou quando se tem área de microcalcificação muito extensa
Quais os diagnósticos que podemos ter após a realização de uma biópsia de mama?
Após a realização de uma biópsia de mama podemos ter genericamente 3 diagnósticos:
  • Lesão benigna
  • Lesão pré-cancerígena.
  • Lesão cancerígena.
Estou com o diagnóstico de câncer de mama e agora o que devo fazer?
Após uma biópsia comprovando o diagnóstico de câncer de mama as pacientes deverão procurar tratamento médico especializado no qual o médico irá efetuar uma avaliação global da paciente, através da história clínica, exame físico, podendo ser complementado com exames de imagem (Rx de tórax, cintilografia óssea, ultrassom de abdômen e pelve) ou outros a depender do estadiamento.

O que é estadiamento tumoral?

Consiste em um método de classificar o grau de extensão do tumor. É feito baseado no tamanho do tumor aferido pelo exame físico e baseados nos exames de imagem. Se refere a 3 variáveis (TNM):
  • T – se refere ao tamanho do tumor na mama.
  • N –se refere ao acometimento metastático dos gânglios da axila.
  • M – se refere ao acometimento metastático de outros órgãos.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014




Tumor na mama tem origem nas células que formam os dutos mamários (Foto: BBC)



Cientistas dizem ter descoberto origem do câncer de mama

Tumor nasce a partir de mau funcionamento de células localizadas nos ductos mamários.

Em sua essência, o câncer é uma célula entre milhões de outras que começa a funcionar mal. No caso do câncer de mama, na maioria das vezes essa célula maligna fica nos ductos que levam o leite da glândula mamária até o mamilo. Mas, por que ali e não em outra parte? O que há nesta região?
David Gilley, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e Connie Eaves, do Laboratório Terry Fox da Agência para o Câncer em Vancouver, no Canadá, ficaram perplexos ao descobrir a resposta.
Em seu estudo, publicado na revista especializada "Stem Cell Reports", eles explicam como descobriram que todas as mulheres - propensas ou não a desenvolver câncer de mama - têm uma classe particular de células-mãe com telômeros (estruturas que formam as extremidades do cromossomo) extremamente curtos.
Os cientistas se deram conta de que estes cromossomos, com as extremidades tão pequenas, fazem com que as células fiquem mais propensas a sofrer mutações que podem desenvolver o câncer.
Diferentemente de muitos estudos sobre o câncer, a investigação se deu em mulheres normais que doaram seus tecidos após terem se submetido a uma operação de redução de seios por razões estéticas.
"O que procurávamos eram possíveis vulnerabilidades em células normais que fizeram com que se tornassem malignas", explicou Gilley à BBC Mundo.
Prevenção
Eles explicam que as células-mãe se dividem em células chamadas de diferenciadas ou finais, que, por sua vez formam o ducto mamário. E é nessas células em que se origina o câncer de mama, afirmam os especialistas.
Eles observaram que quando os telômeros dessas células finais perdem sua função - que é a de manter a estrutura do cromossomo, evitando que suas extremidades se juntem ou combinem com os outros - pode ocorrer é "um verdadeiro caos" no ciclo celular que se segue.
Apesar de todas as mulheres terem células com telômeros bem curtos, nem todas desenvolvem câncer de mama. Em alguns casos, porém, a multiplicação dessas células pode funcionar mal e produzir uma célula maligna, explica Gilley.
Para os especialistas, o estudo lhes permite entender o que está por trás do início do câncer de mama e estabelecer marcadores que sirvam de parâmetros para exames a partir de amostras de tecidos e sangue, e poder monitorar todas as mulheres, especialmente as que têm alto risco de desenvolver o câncer.
"O que tentamos fazer foi olhar o câncer de uma forma distinta, nos focando em como começa", explica Gilley. "Porque uma vez que o tumor se desenvolve, particulramente em alguns tipos de câncer de mama, não há muito o que se pode fazer".



domingo, 24 de agosto de 2014

câncer
  


   Como diminuir o risco de desenvolver câncer de mama 
A prevenção do câncer de mama pode ser dividida em três partes:
  • Prevenção primária: tudo aquilo que pode ser feito para evitar a ocorrência do câncer
  • Prevenção secundária: diagnóstico precoce e prevenção da recorrência (recidiva)
  • Prevenção terciária: medidas para minimizar o impacto da doença já estabelecida, na qualidade de vida das pessoas.
Abordaremos aqui apenas a prevenção primária e secundária.

Prevenção primária

O câncer de mama é em parte decorrente de uma série de fatores de risco:
  • Idade avançada
  • Predisposição genética hereditária
  • História familiar
  • Menarca (primeira menstruação) precoce e menopausa tardia
  • Radioterapia prévia na região do tórax
  • Mamas mais densas
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Etilismo (alcoolismo)
  • Tabagismo
  • Uso de reposição hormonal (reposição de hormônios após a menopausa)
Dentre estes, constam fatores que podem ser considerados fatores modificáveis e outros não modificáveis (idade, história familiar, mamas densas).
Dentre os fatores modificáveis, você pode ajudar a prevenir o câncer mantendo um peso saudável (obesidade aumenta o risco), uma dieta balanceada, fazendo atividade física, não fumando, não ingerindo bebidas alcoólicas em excesso.
Além disso, para mulheres na menopausa, é aconselhável não fazer reposição hormonal, ou fazê-lo sob orientação estrita de um médico.
Havendo fatores não modificáveis, o que pode e deve ser feito é uma investigação (no caso de haver história familiar de câncer de mama e/ou ovário), para identificar a possível presença de uma predisposição genética hereditária, e com base nesta avaliação (veja o item sobre risco), poder tomar decisões sobre intervenções redutoras de risco, discutidas abaixo.
Esta avaliação e a decisão de fazer testes genéticos, somente devem ocorrer após uma orientação adequada, geralmente feita por um oncogeneticista.
Embora seja difícil quantificar a diminuição do risco de câncer de mama especificamente promovida por uma intervenção como, por exemplo, perda de peso, vale ressaltar que todas as intervenções em fatores modificáveis trazem também benefícios para a saúde em outras esferas, não apenas no câncer de mama.
Além destas medidas de intervenção em fatores de risco, existe a intervenção medicamentosa redutora do risco. Nesta estratégia, mulheres com um risco calculado maior que o da população geral, podem tomar Tamoxifeno ou Raloxifeno por 5 anos, sendo que estas medicações reduzem de maneira significativa o risco de se desenvolver câncer de mama, e esta redução perdura por vários anos, mesmo após o término dos 5 anos de medicação.
Lamentavelmente, esta prevenção medicamentosa ocorre às custas de efeitos colaterais frequentemente mal aceitos pelas mulheres (ondas de calor, suodorese exacerbada, retenção de líquido).

Pacientes com predisposição genética (hereditária) ao câncer de mama

Há alguns aspectos na história pessoal e familiar de pacientes que nos fazem pensar na possibilidade de uma predisposição genética.
São estes fatores:
  • Câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos em parentes de primeiro ou segundo grau;
  • História de parentes com câncer de mama e/ou de ovário;
  • Familiar com câncer de mama em ambas as mamas; ascendência judia Aschkenazi (leste europeu);
  • Parente homem com câncer de mama.
Embora haja diversas mutações genéticas hereditárias que podem predispor ao desenvolvimento de câncer de mama (entre outros tipos de câncer), aquelas mais frequentemente associadas ao câncer de mama (e de ovário) são as mutações nos genes denominados BRCA1 e BRCA2. Apenas algo em torno de 10% dos casos de câncer de mama diagnosticados são consequência destas mutações, mas para uma pessoa que tenha uma destas mutações, o risco de desenvolver câncer de mama (e/ou ovário) ao longo da vida é de mais de 50%.
Assim, quando se sabe que uma mulher é portadora de uma destas mutações, é necessária uma discussão aberta sobre medidas de prevenção, que podem ir desde um seguimento mais frequente e com exames mais sofisticados (como ressonância nuclear magnética das mamas), passando por medicações como Tamoxifeno, até cirurgias redutoras de risco (mastectomia profilática e/ou retirada profilática dos ovários).

Prevenção secundária

Aqui entram estratégias de rastreamento populacional assim como estratégias individualizadas em função de história familiar ou pessoal.
O rastreamento mais comum é a mamografia, que nada mais é que um raio-X em duas incidências de cada uma das mamas. Recomendamos que a mamografia seja feita a partir dos 40 anos de idade de maneira anual, em linha com o que é proposto pela American Cancer Society. Não há idade limite para a realização de mamografia, sendo que o bom senso dita que quando uma mulher tiver uma expectativa de vida curta, não mais faz sentido rastrear o câncer de mama.
ultrassom das mamas serve como complemento à mamografia, pois ajuda a diferenciar cistos (conteúdo líquido, raramente canceroso) de nódulos, mal diferenciados na mamografia.
ressonância nuclear magnética (RNM) é recomendada para o rastreamento apenas em populações de alto risco, como pacientes com uma história familiar suspeita de predisposição genética, pacientes sabidamente com predisposição genética ao câncer ou pacientes que já tiveram um primeiro câncer de mama. Nas pacientes com alto risco definido com base em história familiar ou genética, a recomendação é iniciar o rastreamento aos 30 anos de idade.
Mamografia, ultrassom e RNM podem ser laudados com referência a uma classificação chamada de Bi-RADS. A lista abaixo indica o significado e a conduta em cada caso, com base no Bi-RADS:
CategoriaSeguimento proposto
Zero – Indica necessidade de imagens adicionaisImagens adicionais (MMG ou RNM)
1 – Negativa: sem anormalidadesSeguimento anual
2 – Benigno: alterado, mas não suspeitoSeguimento anual
3 – Provavelmente benignoMamografia após 6 meses
4 – Alteração suspeita, provavelmente benignaNecessita biópsia
5 – Altamente suspeito para malignidadeNecessita biópsia
6 – Sabidamente malignoBiópsia com diagnóstico de câncer
Assim como na prevenção primária, em casos onde a mulher já teve um câncer de mama ou uma doença pré-cancerosa (também denominado de carcinoma in-situ) com determinadas características (presença dos chamados receptores hormonais no tumor), está indicada uma prevenção secundária com Tamoxifeno (ou uma classe de medicações denominada Inibidores de Aromatase, se a mulher tiver tido um câncer).
Neste caso, a medicação tem por objetivo reduzir o risco de aparecimento de um novo tumor (seja maligno, seja pré-canceroso) na mesma mama, assim como na mama contralateral.

Prevenção terciária

Consiste em intervenções com objetivo de minimizar a perda de qualidade de vida decorrente da doença. Este tópico está discutido na sessão de tratamento.
- See more at: http://www.cancerdamama.com/prevencao/como-diminuir-o-risco-de-desenvolver-cancer-de-mama/#sthash.f7FHyGd7.dpuf

Quem procurar
Uma mulher que queira prevenir o câncer de mama deve, antes de mais nada, ter um médico (ginecologista, mastologista, geriatra) com o qual possa discutir esta preocupação.
Com base na idade da paciente, na sua história familiar, e na presença e gravidade de outras doenças que ela possa ter, este médico pode propor estratégias diferentes de prevenção.
Em linhas gerais, porém, a prevenção consiste em:
  • Exame anual das mamas por um profissional de saúde;
  • Mamografia anual ou bianual, a partir dos 40 anos de idade (em mulheres com risco equivalente ao da população geral).
Para mulheres identificadas como tendo um risco maior que o da população geral (com base em história familiar de outros casos de câncer de mama e/ou ovário), a recomendação pode ser por uma estratégia de rastreamento ainda mais precoce, e até o encaminhamento para um Oncogeneticista.
Este profissional pode, a partir de uma elaborada história familiar e de um heredograma (árvore da família no que tange a outros casos de câncer), calcular o risco de uma paciente desenvolver câncer, com base em vários modelos matemáticos.
Com o resultado deste risco calculado, pode então ser necessário o encaminhamento para um mastologista que pode propor uma cirurgia redutora de risco, ou para um oncologista que poderá propor medidas medicamentosas para prevenção.
No Brasil, onde a Mamografia de rastreamento é recomendada pelo Ministério da Saúde a partir dos 50 anos (o ideal seria a partir dos 40 anos), toda mulher a partir desta idade deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para solicitar o exame das mamas por um profissional médico e uma Mamografia.
Mulheres a partir dos 40 anos de idade, que procurarem uma Unidade Básica de Saúde, têm amparo na lei (lei 11664/08) para solicitar que seja feita mamografia de rastreamento, apesar da  falta de recomendação formal pelo Ministério da Saúde.
Além disso, se ao autoexame (falamos hoje muito mais em autoconhecimento das mamas), a mulher notar uma alteração nova, ela deve procurar o médico (ginecologista, mastologista, clínico geral, geriatra ou oncologista).
Este deverá fazer o exame clínico das mamas e solicitar a mamografia independentemente da idade da paciente.