quarta-feira, 6 de agosto de 2014
GRAU DO CÂNCER DE MAMA
Um patologista atribui, ainda, um grau para o câncer, com base no grau de semelhança da amostra de biópsia com tecido mamário normal. O grau ajuda a prever o prognóstico da paciente. Em geral, um grau de numeração mais baixa indica câncer de crescimento mais lento e com menor probabilidade de disseminação, ao passo que uma numeração mais elevada indica câncer de crescimento mais rápido e maior probabilidade de disseminação.
A classificação histológica do tumor (às vezes chamada classificação de Bloom-Richardson, classificação de Scarff-Bloom-Richardson ou classificação de Elston-Ellis) é baseada no arranjo das células em relação umas às outras. se elas formam túbulos; o quanto elas se assemelham a células mamárias normais (classificação nuclear); e quantas das células cancerosas encontram-se em processo de divisão (contagem mitótica). Esse sistema de classificação é utilizado para cânceres invasivos, mas não para cânceres in situ.
- Grau 1 (bem diferenciados) cânceres com células de aparência relativamente normal que não parecem estar crescendo rapidamente e encontram-se organizadas em pequenos túbulos.
- Grau 2 (moderadamente diferenciados) cânceres com características intermediárias entre os graus 1 e 3.
- Grau 3 (pouco diferenciados) cânceres, o grau mais elevado, sem características de normalidade e que tendem a crescer e se disseminar de modo mais agressivo.
O grau do tumor é mais importante em pacientes com tumores pequenos sem comprometimento de linfonodos. Pacientes com tumores pequenos e bem diferenciados podem não requerer nenhum tratamento adicional após a remoção do tumor, enquanto pacientes com tumores moderadamente ou pouco diferenciados costumam receber hormonoterapia ou quimioterapia adicional.
O carcinoma ductal in situ (CDIS) às vezes recebe uma classificação nuclear, que descreve o quão anormal as células cancerosas aparentam ser. A presença ou ausência de necrose (áreas de células cancerosas mortas ou em degeneração), que pode indicar um câncer mais agressivo, também é observada. Outros fatores importantes na determinação do prognóstico do CDIS incluem a margem cirúrgica (proximidade do câncer em relação aos limites da amostra de lumpectomia) e o tamanho (quantidade de tecido mamário afetado pelo CDIS). Cânceres in situ com grau nuclear elevado, necrose, câncer na borda ou nas proximidades da borda da amostra de lumpectomia e áreas maiores de CDIS têm maior probabilidade de voltar após a lumpectomia.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Desmistificando o Câncer
Em oncologia, como em todas as especialidades, nós, médicos, travamos uma das piores batalhas do nosso dia-a-dia: desfazer os mitos em relação às doenças. Quando tratamos de câncer, os mitos parecem ser ainda mais fortes e arraigados na mente das pessoas. E há vários deles que, com o passar do tempo, tornam-se verdades.
Vejamos o exemplo do mito que diz que o câncer é contagioso. Embora alguns tipos de vírus possam desenvolver o câncer, a doença em si nunca é contagiosa. Outro mito que envolve a doença é o de que ela não tem cura. Trata-se de uma inverdade, pois mais da metade dos pacientes diagnosticados precocemente com câncer apresentam cura. A afirmação de que todo tumor é câncer também não passa de um mito, já que existem alguns tumores benignos.
E se alguém disser que câncer é hereditário, saiba que isso não passa de uma inverdade. Algumas famílias podem até ter maior probabilidade de desenvolver tumores por estarem dispostas geneticamente a isso, mas é falso que a doença seja uma herança genética.
Com relação ao câncer de mama, também há um mito que precisa ser desfeito: o de que implantes mamários causam câncer. Embora a anatomia das mamas mude com os implantes, a mulher passa a observá-las melhor. Já a afirmação de que amamentar protege as mamas do câncer é verdadeira. Durante a amamentação, as células mamárias se multiplicam menos, diminuindo o risco do aparecimento de câncer.
Outra inverdade é que a frequência sexual está relacionada ao câncer de próstata. Fazer mais ou menos sexo não vai levar ao aparecimento da doença. Mas alguns vírus transmitidos sexualmente podem ser o principal fator do desenvolvimento do câncer. O HPV pode causar câncer de colo de útero e o vírus da hepatite pode causar câncer no fígado, por exemplo.
E é verdade que beber água fluoretada causa câncer? Nenhum estudo nunca demonstrou que isso aumentasse o índice da doença. Assim como também não há nenhum embasamento científico que comprove que chumbo no batom possa provocar câncer.
O câncer de pele também é motivo de muitas dúvidas. Estar bronzeado, por exemplo, não significa que você esteja protegido dos efeitos do sol. As pessoas de pele morena ou negra têm sim uma incidência menor de câncer de pele, mas as pessoas que se bronzeiam têm mais chances de apresentar a doença, uma vez que têm a pele danificada. E como os efeitos do sol são cumulativos, o câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Uma verdade também é de que a doença está relacionada à destruição da natureza. Com os buracos na camada de ozônio, ficamos mais expostos à radiação solar e, consequentemente, mais propensos ao câncer de pele.
Outro mito bastante comum é o de que charutos e cachimbos provocam menos câncer de pulmão que cigarros. O tabaco é o mesmo, esteja ele em qualquer uma dessas drogas, e já foram identificadas, pelo menos, 43 substâncias cancerígenas nele. Ocorre que é mais comum fumar cigarro, o que confere a ele maior causa do aparecimento da doença.
E ao contrário do que muitos pensam, utilizar o microondas para cozinhar alimentos não provoca câncer. O fato de eles serem cozidos no aparelho não os torna radioativos. Mas é bom prestar atenção à dieta. Estudos científicos mostram que ingerir alimentos ricos em gordura está relacionado ao aparecimento de câncer de próstata e de cólon.
Poderíamos citar inúmeros outros mitos. É importante estar atento a essas inverdades para não ter motivos de se preocupar. E-mails circulam todos os dias na Internet contendo informações mentirosas. Antes de começar a acreditar neles, procure se inteirar melhor do assunto.
Câncer de Próstata: da Prevenção à Cura
Depois do melanoma, o câncer de próstata é o mais frequente em todas as regiões do país. Em 2008, foram quase 50 mil novos casos da doença no Brasil, que poderiam ser prevenidos e evitados com exames rotineiros. Há um risco estimado de 52 novos casos para cada grupo de 100 mil homens.
O câncer de próstata é bem mais comum em homens com mais de 50 anos de idade. Mais de 70% dos tumores são diagnosticados em indivíduos acima dos 65 anos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) preconiza a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos para homens sem histórico familiar da doença e dos 40 para aqueles que tenham casos de câncer de próstata na família.
O objetivo dessa avaliação periódica é descobrir um possível tumor o mais precocemente possível. Nos primeiros estágios da doença, quando o tumor ainda está reduzido à próstata, as chances de cura são de cerca de 90%. Quando a doença avança para a cápsula da próstata ou para a vesícula seminal, a sobrevida cai para aproximadamente 45%. Quando há metástase ou ação nas estruturas próximas as chances de cura caem bastante.
A presença de sintomas para câncer nunca é um bom sinal. Quando o paciente procura um médico porque está sentindo dores ou certo desconforto, pode ser que o câncer já esteja em um estágio evoluído. Claro que nem todos os sintomas urinários estão relacionados ao câncer, mas é sempre bom consultar um médico o quanto antes.
E se já houve casos da doença na família, os cuidados precisam ser redobrados. Há um fator genético ou hereditário em volta do câncer de próstata. Tanto que ter pai ou irmão com esse tipo de câncer aumenta em duas vezes o risco de um homem também ter. Quando se trata de pai e outro familiar direto, como tio ou avô, são cinco vezes mais chances de apresentar a doença. E quando são mais de dois parentes diretos, o risco aumenta em dez vezes.
A avaliação anual mostra-se, portanto, como um importante instrumento para a detecção precoce do câncer de próstata, ou seja, o diagnóstico quando o tumor está restrito à glândula e ainda não se espalhou para o restante do corpo. Para isso, as armas são duas: o toque retal e a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico).
O toque retal consiste no exame digital da próstata capaz de detectar irregularidades, nódulos e áreas endurecidas que sugiram um tumor e que exijam mais esclarecimentos. Quanto à dosagem do PSA, trata-se de um teste feito no sangue que mede os níveis de antígeno prostático específico.
O PSA é considerado o melhor exame para diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas ainda há tumores que não podem ser detectados por ele, e sim pelo toque retal. Por isso, os dois são necessários e precisam ser feitos.
O tratamento do câncer de próstata são os mesmos para qualquer outro tipo de câncer: radioterapia, quimioterapia, tratamento clínico, cirurgia, dependendo de cada caso. Apenas quando o tumor encontra-se fora da próstata os tratamentos são paliativos, ou seja, sem chances de cura.
As sequelas do câncer ou do tratamento dependem muito de qual terapia foi usada, porém, são cada vez menos frequentes. Claro que isso não significa que a doença não tem importância. Pelo contrário. Portanto, se você é homem, não tenha vergonha e faça regularmente os exames preventivos; se é mulher, estimule seu marido, pai ou irmão a também fazer.
Cirurgia oncoplástica - Novidade no câncer de mama
O câncer de mama afeta um grande número de mulheres em todo o país e ainda, infelizmente, pela demora no diagnóstico e tratamento, ocasiona quase 20% das mortes entre as mulheres brasileiras.
O aumento do número de casos em mulheres mais jovens está relacionado com a menarca precoce, obesidade, sedentarismo, estresse, retardo na gravidez e amamentação, além de fatores ambientais não identificados com exatidão.
Os exames ginecológicos de rotina, o auto-exame, a ultra-sonografia de mamas e a mamografia são os aliados disponíveis atualmente para a detecção e o desejado tratamento precoce da doença, fatores indispensáveis para uma maior chance de cura.
O desenvolvimento e aprimoramento do tratamento oncológico associado à correção estética da agressão cirúrgica (Cirurgia oncoplástica) representa uma das maiores conquistas no tratamento dessa doença.
Os quimioterápicos, assim como as novas técnicas de cirurgia e de radioterapia, trouxeram novas esperanças para as mulheres na luta contra o câncer de mama. O tratamento moderno do câncer de mama envolve e integra equipes de várias especialidades médicas, instituindo um verdadeiro plano de vôo, com roteiro personalizado e a garantia de uma decolagem e aterrissagem perfeitas.
Nesses termos, a equipe propõe alternativas de tratamento capazes de respeitar os princípios oncológicos de máxima radicalidade possível na extirpação do câncer, associado ao tratamento sistêmico da doença, cujo objetivo é destruir células tumorais antes da sua implantação.
Podemos afirmar, categoricamente, que o câncer de mama somente provoca a morte quando afeta órgãos vitais como, por exemplo, o cérebro, pulmão e fígado. De que vale então sacrificar a mama sem destruir eventuais células cancerígenas em circulação?
Entendemos que o diagnóstico precoce e o tratamento sistêmico (quimioterapia) podem obter o domínio da doença e permitem a escolha da melhor proposta de tratamento cirúrgico. As opções podem ser oferecidas pelo mastologista, obviamente amparado pelo oncologista, cirurgião plástico, e especialistas responsáveis pelos tratamentos complementares, utilizando os profissionais atuantes em radioterapia, fisioterapia, nutrição e a indispensável psicologia de apoio.
Em tese, o tratamento envolve a remoção do tumor, identificado pelo exame físico ou métodos de imagem (ultra-sonografia, mamografia, tomografia, ressonância magnética) e deve impedir o crescimento de células, ainda não identificadas pelos métodos disponíveis, utilizando principalmente a quimioterapia precedendo a cirurgia (quimioterapia neo-adjuvante), seguindo-se de hormônioterapia e radioterapia.
Quem sabe poderemos direcionar o tratamento do câncer de mama para condições em que se obtenha melhoria das condições físicas e emocionais? Em suma, atendendo ao dito popular, vamos fazer do limão uma limonada. O trauma, ocasionado pelo diagnóstico da doença, deverá ser combatido através da melhoria estética e psicológica da paciente.
O tratamento oncoplástico integral deverá expandir consideravelmente, norteado pelos avanços no tratamento sistêmico, nas práticas cirúrgicas conservadoras, linfadenectomia seletiva (linfonodo sentinela) e uso da radioterapia loco-regional.
O sistema de saúde deve facilitar a ação integrada dos profissionais para agilizar a recuperação e retorno à vida normal, com um mínimo prejuízo estético e, na maioria dos casos, com melhoria na condição estética das mamas.
As terríveis deformidades causadas pela mastectomia são temas superados. A cirurgia oncoplástica e o tratamento sistêmico avançam em direção à cura radical, sem seqüelas.
As técnicas para ressecção da lesão, seguindo-se os princípios oncológicos e otimizando os resultados pela cirurgia na mama contra-lateral, contribuem para um melhor resultado final.
A mamoplastia redutora ou a mastectomia subcutânea, preservando-se a pele da mama e o mamilo, podem representar uma excelente opção para obter resultados estéticos, superiores aos obtidos com as ressecções parciais. Sendo necessária a mastectomia radical, a reconstrução imediata com retalho mio-cutâneo do músculo abdominal, ou do grande dorsal, ou ainda com o implante de próteses, são indispensáveis ao bem-estar físico e psicológico da mulher, inferindo um impacto bastante positivo na sua qualidade de vida.
O aumento do número de casos em mulheres mais jovens está relacionado com a menarca precoce, obesidade, sedentarismo, estresse, retardo na gravidez e amamentação, além de fatores ambientais não identificados com exatidão.
Os exames ginecológicos de rotina, o auto-exame, a ultra-sonografia de mamas e a mamografia são os aliados disponíveis atualmente para a detecção e o desejado tratamento precoce da doença, fatores indispensáveis para uma maior chance de cura.
O desenvolvimento e aprimoramento do tratamento oncológico associado à correção estética da agressão cirúrgica (Cirurgia oncoplástica) representa uma das maiores conquistas no tratamento dessa doença.
Os quimioterápicos, assim como as novas técnicas de cirurgia e de radioterapia, trouxeram novas esperanças para as mulheres na luta contra o câncer de mama. O tratamento moderno do câncer de mama envolve e integra equipes de várias especialidades médicas, instituindo um verdadeiro plano de vôo, com roteiro personalizado e a garantia de uma decolagem e aterrissagem perfeitas.
Nesses termos, a equipe propõe alternativas de tratamento capazes de respeitar os princípios oncológicos de máxima radicalidade possível na extirpação do câncer, associado ao tratamento sistêmico da doença, cujo objetivo é destruir células tumorais antes da sua implantação.
Podemos afirmar, categoricamente, que o câncer de mama somente provoca a morte quando afeta órgãos vitais como, por exemplo, o cérebro, pulmão e fígado. De que vale então sacrificar a mama sem destruir eventuais células cancerígenas em circulação?
Entendemos que o diagnóstico precoce e o tratamento sistêmico (quimioterapia) podem obter o domínio da doença e permitem a escolha da melhor proposta de tratamento cirúrgico. As opções podem ser oferecidas pelo mastologista, obviamente amparado pelo oncologista, cirurgião plástico, e especialistas responsáveis pelos tratamentos complementares, utilizando os profissionais atuantes em radioterapia, fisioterapia, nutrição e a indispensável psicologia de apoio.
Em tese, o tratamento envolve a remoção do tumor, identificado pelo exame físico ou métodos de imagem (ultra-sonografia, mamografia, tomografia, ressonância magnética) e deve impedir o crescimento de células, ainda não identificadas pelos métodos disponíveis, utilizando principalmente a quimioterapia precedendo a cirurgia (quimioterapia neo-adjuvante), seguindo-se de hormônioterapia e radioterapia.
Quem sabe poderemos direcionar o tratamento do câncer de mama para condições em que se obtenha melhoria das condições físicas e emocionais? Em suma, atendendo ao dito popular, vamos fazer do limão uma limonada. O trauma, ocasionado pelo diagnóstico da doença, deverá ser combatido através da melhoria estética e psicológica da paciente.
O tratamento oncoplástico integral deverá expandir consideravelmente, norteado pelos avanços no tratamento sistêmico, nas práticas cirúrgicas conservadoras, linfadenectomia seletiva (linfonodo sentinela) e uso da radioterapia loco-regional.
O sistema de saúde deve facilitar a ação integrada dos profissionais para agilizar a recuperação e retorno à vida normal, com um mínimo prejuízo estético e, na maioria dos casos, com melhoria na condição estética das mamas.
As terríveis deformidades causadas pela mastectomia são temas superados. A cirurgia oncoplástica e o tratamento sistêmico avançam em direção à cura radical, sem seqüelas.
As técnicas para ressecção da lesão, seguindo-se os princípios oncológicos e otimizando os resultados pela cirurgia na mama contra-lateral, contribuem para um melhor resultado final.
A mamoplastia redutora ou a mastectomia subcutânea, preservando-se a pele da mama e o mamilo, podem representar uma excelente opção para obter resultados estéticos, superiores aos obtidos com as ressecções parciais. Sendo necessária a mastectomia radical, a reconstrução imediata com retalho mio-cutâneo do músculo abdominal, ou do grande dorsal, ou ainda com o implante de próteses, são indispensáveis ao bem-estar físico e psicológico da mulher, inferindo um impacto bastante positivo na sua qualidade de vida.
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