terça-feira, 5 de agosto de 2014

Desmistificando o Câncer


Em oncologia, como em todas as especialidades, nós, médicos, travamos uma das piores batalhas do nosso dia-a-dia: desfazer os mitos em relação às doenças. Quando tratamos de câncer, os mitos parecem ser ainda mais fortes e arraigados na mente das pessoas. E há vários deles que, com o passar do tempo, tornam-se verdades.
Vejamos o exemplo do mito que diz que o câncer é contagioso. Embora alguns tipos de vírus possam desenvolver o câncer, a doença em si nunca é contagiosa. Outro mito que envolve a doença é o de que ela não tem cura. Trata-se de uma inverdade, pois mais da metade dos pacientes diagnosticados precocemente com câncer apresentam cura. A afirmação de que todo tumor é câncer também não passa de um mito, já que existem alguns tumores benignos.
E se alguém disser que câncer é hereditário, saiba que isso não passa de uma inverdade. Algumas famílias podem até ter maior probabilidade de desenvolver tumores por estarem dispostas geneticamente a isso, mas é falso que a doença seja uma herança genética.
Com relação ao câncer de mama, também há um mito que precisa ser desfeito: o de que implantes mamários causam câncer. Embora a anatomia das mamas mude com os implantes, a mulher passa a observá-las melhor. Já a afirmação de que amamentar protege as mamas do câncer é verdadeira. Durante a amamentação, as células mamárias se multiplicam menos, diminuindo o risco do aparecimento de câncer.
Outra inverdade é que a frequência sexual está relacionada ao câncer de próstata. Fazer mais ou menos sexo não vai levar ao aparecimento da doença. Mas alguns vírus transmitidos sexualmente podem ser o principal fator do desenvolvimento do câncer. O HPV pode causar câncer de colo de útero e o vírus da hepatite pode causar câncer no fígado, por exemplo.
E é verdade que beber água fluoretada causa câncer? Nenhum estudo nunca demonstrou que isso aumentasse o índice da doença. Assim como também não há nenhum embasamento científico que comprove que chumbo no batom possa provocar câncer.
O câncer de pele também é motivo de muitas dúvidas. Estar bronzeado, por exemplo, não significa que você esteja protegido dos efeitos do sol. As pessoas de pele morena ou negra têm sim uma incidência menor de câncer de pele, mas as pessoas que se bronzeiam têm mais chances de apresentar a doença, uma vez que têm a pele danificada. E como os efeitos do sol são cumulativos, o câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Uma verdade também é de que a doença está relacionada à destruição da natureza. Com os buracos na camada de ozônio, ficamos mais expostos à radiação solar e, consequentemente, mais propensos ao câncer de pele.
Outro mito bastante comum é o de que charutos e cachimbos provocam menos câncer de pulmão que cigarros. O tabaco é o mesmo, esteja ele em qualquer uma dessas drogas, e já foram identificadas, pelo menos, 43 substâncias cancerígenas nele. Ocorre que é mais comum fumar cigarro, o que confere a ele maior causa do aparecimento da doença.
E ao contrário do que muitos pensam, utilizar o microondas para cozinhar alimentos não provoca câncer. O fato de eles serem cozidos no aparelho não os torna radioativos. Mas é bom prestar atenção à dieta. Estudos científicos mostram que ingerir alimentos ricos em gordura está relacionado ao aparecimento de câncer de próstata e de cólon.
Poderíamos citar inúmeros outros mitos. É importante estar atento a essas inverdades para não ter motivos de se preocupar. E-mails circulam todos os dias na Internet contendo informações mentirosas. Antes de começar a acreditar neles, procure se inteirar melhor do assunto.

Câncer de Próstata: da Prevenção à Cura


Depois do melanoma, o câncer de próstata é o mais frequente em todas as regiões do país. Em 2008, foram quase 50 mil novos casos da doença no Brasil, que poderiam ser prevenidos e evitados com exames rotineiros. Há um risco estimado de 52 novos casos para cada grupo de 100 mil homens.
O câncer de próstata é bem mais comum em homens com mais de 50 anos de idade. Mais de 70% dos tumores são diagnosticados em indivíduos acima dos 65 anos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) preconiza a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos para homens sem histórico familiar da doença e dos 40 para aqueles que tenham casos de câncer de próstata na família.
O objetivo dessa avaliação periódica é descobrir um possível tumor o mais precocemente possível. Nos primeiros estágios da doença, quando o tumor ainda está reduzido à próstata, as chances de cura são de cerca de 90%. Quando a doença avança para a cápsula da próstata ou para a vesícula seminal, a sobrevida cai para aproximadamente 45%. Quando há metástase ou ação nas estruturas próximas as chances de cura caem bastante.
A presença de sintomas para câncer nunca é um bom sinal. Quando o paciente procura um médico porque está sentindo dores ou certo desconforto, pode ser que o câncer já esteja em um estágio evoluído. Claro que nem todos os sintomas urinários estão relacionados ao câncer, mas é sempre bom consultar um médico o quanto antes.
E se já houve casos da doença na família, os cuidados precisam ser redobrados. Há um fator genético ou hereditário em volta do câncer de próstata. Tanto que ter pai ou irmão com esse tipo de câncer aumenta em duas vezes o risco de um homem também ter. Quando se trata de pai e outro familiar direto, como tio ou avô, são cinco vezes mais chances de apresentar a doença. E quando são mais de dois parentes diretos, o risco aumenta em dez vezes.
A avaliação anual mostra-se, portanto, como um importante instrumento para a detecção precoce do câncer de próstata, ou seja, o diagnóstico quando o tumor está restrito à glândula e ainda não se espalhou para o restante do corpo. Para isso, as armas são duas: o toque retal e a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico).
O toque retal consiste no exame digital da próstata capaz de detectar irregularidades, nódulos e áreas endurecidas que sugiram um tumor e que exijam mais esclarecimentos. Quanto à dosagem do PSA, trata-se de um teste feito no sangue que mede os níveis de antígeno prostático específico.
O PSA é considerado o melhor exame para diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas ainda há tumores que não podem ser detectados por ele, e sim pelo toque retal. Por isso, os dois são necessários e precisam ser feitos.
O tratamento do câncer de próstata são os mesmos para qualquer outro tipo de câncer: radioterapia, quimioterapia, tratamento clínico, cirurgia, dependendo de cada caso. Apenas quando o tumor encontra-se fora da próstata os tratamentos são paliativos, ou seja, sem chances de cura.
As sequelas do câncer ou do tratamento dependem muito de qual terapia foi usada, porém, são cada vez menos frequentes. Claro que isso não significa que a doença não tem importância. Pelo contrário. Portanto, se você é homem, não tenha vergonha e faça regularmente os exames preventivos; se é mulher, estimule seu marido, pai ou irmão a também fazer.
 

Cirurgia oncoplástica - Novidade no câncer de mama


O câncer de mama afeta um grande número de mulheres em todo o país e ainda, infelizmente, pela demora no diagnóstico e tratamento, ocasiona quase 20% das mortes entre as mulheres brasileiras.

O aumento do número de casos em mulheres mais jovens está relacionado com a menarca precoce, obesidade, sedentarismo, estresse, retardo na gravidez e amamentação, além de fatores ambientais não identificados com exatidão.

Os exames ginecológicos de rotina, o auto-exame, a ultra-sonografia de mamas e a mamografia são os aliados disponíveis atualmente para a detecção e o desejado tratamento precoce da doença, fatores indispensáveis para uma maior chance de cura.

O desenvolvimento e aprimoramento do tratamento oncológico associado à correção estética da agressão cirúrgica (Cirurgia o­ncoplástica) representa uma das maiores conquistas no tratamento dessa doença.

Os quimioterápicos, assim como as novas técnicas de cirurgia e de radioterapia, trouxeram novas esperanças para as mulheres na luta contra o câncer de mama. O tratamento moderno do câncer de mama envolve e integra equipes de várias especialidades médicas, instituindo um verdadeiro plano de vôo, com roteiro personalizado e a garantia de uma decolagem e aterrissagem perfeitas.

Nesses termos, a equipe propõe alternativas de tratamento capazes de respeitar os princípios oncológicos de máxima radicalidade possível na extirpação do câncer, associado ao tratamento sistêmico da doença, cujo objetivo é destruir células tumorais antes da sua implantação.

Podemos afirmar, categoricamente, que o câncer de mama somente provoca a morte quando afeta órgãos vitais como, por exemplo, o cérebro, pulmão e fígado. De que vale então sacrificar a mama sem destruir eventuais células cancerígenas em circulação?

Entendemos que o diagnóstico precoce e o tratamento sistêmico (quimioterapia) podem obter o domínio da doença e permitem a escolha da melhor proposta de tratamento cirúrgico. As opções podem ser oferecidas pelo mastologista, obviamente amparado pelo oncologista, cirurgião plástico, e especialistas responsáveis pelos tratamentos complementares, utilizando os profissionais atuantes em radioterapia, fisioterapia, nutrição e a indispensável psicologia de apoio.

Em tese, o tratamento envolve a remoção do tumor, identificado pelo exame físico ou métodos de imagem (ultra-sonografia, mamografia, tomografia, ressonância magnética) e deve impedir o crescimento de células, ainda não identificadas pelos métodos disponíveis, utilizando principalmente a quimioterapia precedendo a cirurgia (quimioterapia neo-adjuvante), seguindo-se de hormônioterapia e radioterapia.

Quem sabe poderemos direcionar o tratamento do câncer de mama para condições em que se obtenha melhoria das condições físicas e emocionais? Em suma, atendendo ao dito popular, vamos fazer do limão uma limonada. O trauma, ocasionado pelo diagnóstico da doença, deverá ser combatido através da melhoria estética e psicológica da paciente.

O tratamento o­ncoplástico integral deverá expandir consideravelmente, norteado pelos avanços no tratamento sistêmico, nas práticas cirúrgicas conservadoras, linfadenectomia seletiva (linfonodo sentinela) e uso da radioterapia loco-regional.

O sistema de saúde deve facilitar a ação integrada dos profissionais para agilizar a recuperação e retorno à vida normal, com um mínimo prejuízo estético e, na maioria dos casos, com melhoria na condição estética das mamas.

As terríveis deformidades causadas pela mastectomia são temas superados. A cirurgia oncoplástica e o tratamento sistêmico avançam em direção à cura radical, sem seqüelas.

As técnicas para ressecção da lesão, seguindo-se os princípios oncológicos e otimizando os resultados pela cirurgia na mama contra-lateral, contribuem para um melhor resultado final.

A mamoplastia redutora ou a mastectomia subcutânea, preservando-se a pele da mama e o mamilo, podem representar uma excelente opção para obter resultados estéticos, superiores aos obtidos com as ressecções parciais. Sendo necessária a mastectomia radical, a reconstrução imediata com retalho mio-cutâneo do músculo abdominal, ou do grande dorsal, ou ainda com o implante de próteses, são indispensáveis ao bem-estar físico e psicológico da mulher, inferindo um impacto bastante positivo na sua qualidade de vida.

domingo, 27 de julho de 2014

Grã-Bretanha testa tratamento de 'única sessão' contra câncer de mama

Para especialistas, novo procedimento poupa visitas ao hospital e minimiza efeitos colaterais de técnica tradicional.

Da BBC
Técnica, chamada radiação intra-operatória, é adequada apenas para pacientes que estão no estágio inicial da doença (Foto: Thinkstock)Técnica, chamada radiação intra-operatória, é adequada apenas para pacientes que estão no estágio inicial da doença (Foto: Thinkstock)
Uma nova opção de tratamento contra o câncer de mama que substitui semanas de radioterapia por uma única sessão está sendo avaliada pelo NHS (National Heath Service), o SUS britânico, e pode passar a ser oferecido aos pacientes na Inglaterra até o final do ano.
No procedimento, chamado de radiação intraoperatória, uma dose de radiação é emitida por uma sonda inserida no interior do seio, depois de o tumor ser removido por meio de uma cirurgia.
A sonda emite radiação do exato local da operação por cerca de 30 minutos.
Caso seja aprovada pelo NHS, a novidade tem o potencial de beneficiar 36 mil pessoas no Reino Unido, além de ajudar o NHS a economizar dinheiro. Entretanto, o tratamento é adequado apenas para pacientes que estão no estágio inicial da doença.
Atualmente, portadores de câncer se submetem a cirurgias para remover o tumor e depois pelo menos outras 15 sessões de radioterapia para aniquilar a doença.
Única sessão
Testes realizados em mais de 2 mil pessoas indicam que a técnica tem um efeito similar à radioterapia convencional. No entanto, como o procedimento foi desenvolvido recentemente, não há dados de longo prazo disponíveis sobre seus efeitos.
Além de poupar visitas ao hospital, a dose única evitaria um dano potencial a órgãos como coração, pulmão e esôfago – um risco que o paciente corre durante a quimioterapia.
O Instituto Nacional de Saúde e Assistência de Excelência (NICE, na sigla em inglês) afirmou que os prós e contras desse novo tratamento devem ser informados aos pacientes.
Segundo Carole Longson, diretora de avaliação de tecnologia aplicada à saúde do instituto, por causa do ineditismo do tratamento, "seu uso deve ser avaliado cuidadosamente".
"Dessa forma, conseguimos conscientizar os pacientes dos riscos e benefícios antes de escolher qual tratamento queiram ter, além de permitir aos médicos reunir mais informações sobre essa nova técnica".
Na Grã-Bretanha, a ala de radioterapia de um hospital gasta cerca de 30% de seu tempo apenas com o tratamento de câncer de mama. Cerca de 12 mil mulheres morrem anualmente por causa da doença.
No Brasil, o número de mortes devido ao câncer de mama supera 13 mil.
Estimativas anteriores sugerem que uma mudança na radiação intraoperatória poderia liberar recursos e poupar 15 milhões de libras (R$ 57 milhões) por ano ao NHS.
Entretanto, o equipamento necessário para executar o procedimento é caro. Cada sonda custa o equivalente a R$ 1,9 milhão.
Em entrevista à "BBC", o professor Jeffrey Tobias, o primeiro a usar a técnica nos hospitais da Universidade College London, criticou o atraso da Grã-Bretanha na utilização do novo procedimento.
"Estamos ficando para trás. É uma grande pena. Na Alemanha, por exemplo, há 60 centros capazes de realizar esse tratamento. Aqui, temos apenas um", disse.
Se aprovadas, as novas diretrizes podem passar a valer na Inglaterra até o final deste ano. Outros países que formam o Reino Unido (País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) têm prazos diferentes para a introdução do procedimento.
Maior sobrevida
Para Sally Greenbook, do instituto Breakthrough Breast Cancer, entidade britânica que promove conscientização sobre o câncer de mama, quem tem radioterapia "vai ao hospital todos os dias, cinco dias por semanas por pelo menos três semanas".
"Isso é extremamente inconveniente - é prejudicial para suas vidas, e a de suas famílias", disse ela à BBC.
"Isso [o novo tratamento] significa que eles podem continuar com o resto de seu tratamento muito mais rápido, e ter uma maior sobrevida."
Emma Greenwood, responsável pela Cancer Research UK, ONG que financia pesquisas voltadas para a cura do câncer no Reino Unido, disse: "Essa poderia ser uma boa notícia para pacientes com câncer de mama”.
"Uma única sessão de radioterapia no momento da cirurgia oferece um grande benefício, uma vez que reduz o número de visitas do paciente no hospital".
"É essencial que aqueles que se submetam à radioterapia tenham acompanhamento médico por um longo período. O objetivo é garantir que essa dose única de quimioterapia seja tão eficaz quanto o tratamento padrão".
"A radioterapia é um tratamento que já se comprovou eficaz, e esta técnica poderia oferecer outra opção valiosa para o tratamento de câncer de mama em estágio inicial."

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Tumor na mama tem origem nas células que formam os dutos mamários (Foto: BBC)

Em sua essência, o câncer é uma célula entre milhões de outras que começa a funcionar mal. No caso do câncer de mama, na maioria das vezes essa célula maligna fica nos ductos que levam o leite da glândula mamária até o mamilo. Mas, por que ali e não em outra parte? O que há nesta região?
David Gilley, da Faculdade de Medicina da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e Connie Eaves, do Laboratório Terry Fox da Agência para o Câncer em Vancouver, no Canadá, ficaram perplexos ao descobrir a resposta.
Em seu estudo, publicado na revista especializada "Stem Cell Reports", eles explicam como descobriram que todas as mulheres - propensas ou não a desenvolver câncer de mama - têm uma classe particular de células-mãe com telômeros (estruturas que formam as extremidades do cromossomo) extremamente curtos.
Os cientistas se deram conta de que estes cromossomos, com as extremidades tão pequenas, fazem com que as células fiquem mais propensas a sofrer mutações que podem desenvolver o câncer.
14/05/2013 08h58 - Atualizado em 14/05/2013 13h00




Entenda o que é o câncer de mama e 





métodos de prevenção





Doença é o carcinoma que mais atinge mulheres no mundo.
Atriz Angelina Jolie optou por retirar seios ao descobrir mutação em gene.





O que é?
O câncer de mama é o carcinoma mais comum em mulheres, respondendo por 22% do total de casos novos a cada ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Estimativa do instituto aponta que o país registrou 52.680 novos casos da doença apenas em 2012.
Os dados mais recentes de óbitos divulgados pelo instituto apontam que, em 2010, morreram no Brasil 12.852 pessoas devido ao câncer de mama, sendo 147 homens e 12.705 mulheres.

Quais são os fatores de risco?
São considerados fatores de risco, tanto para homens, quanto para mulheres, histórico familiar, obesidade, sedentarismo e antecedente de patologias mamárias. Além disso,  ginecomastia ou crescimento de mamas nos homens (isso pode ocorrer com aplicações de hormônio), hiperestrogerismo, doença testicular, doença hepática, fratura óssea acima de 45 anos e a síndrome de Klinefelter podem também ser perigosos.
Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama.
Nascer com os genes BRCA1 ou BRCA2 significa que vou ter câncer no futuro?
Não. Segundo a geneticistista Lygia da Veiga Pereira, chefe do laboratório nacional de células-tronco embrionárias da Universidade de São Paulo, apenas quem nasce com mutações em um desses genes ou desenvolve esta mutação ao longo da vida passa a ter risco de desenvolver algum tipo de câncer.
Ela explica que a probabilidade de uma mulher com saúde normal desenvolver câncer de mama até os 90 anos é de 10%. No entanto, se ela tem uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, a chance de desenvolver o câncer é de 87%. Mutações nos genes BRCA são responsáveis por cerca de 10% dos casos de câncer de mama nos EUA, tanto em mulheres como em homens.

Apenas os genes BRCA1 ou BRCA2 causam o desenvolvimento de câncer?
Não. Segundo o médico mastologista João Carlos Sampaio Góes, diretor científico do Instituto Brasileiro do Controle do Câncer, existem outros genes ainda não identificados que também são relacionados à pré-disposição do câncer de mama. Ele também acrescenta que casos de reposição hormonal também podem causar o desenvolvimento da doença
Casos de câncer na família significam que também terei algum carcinoma no futuro?
Não. Segundo a geneticista, 90% dos cânceres não são hereditários (genéticos). Ela explica que o carcinoma ocorre devido a algum defeito genético, que pode aparecer anos após o nascimento de uma pessoa, devido ao seus hábitos de vida.
Realizar exame de sequenciamento genético pode ser uma alternativa de prevenção?
Sim. No entanto, segundo Lygia da Veiga, é um exame feito com menos frequência e, em grande parte na pequena parcela da população que tem maior pré-disposição ao desenvolvimento de câncer hereditário, quando genes defeituosos são transmitidos da mãe ou pai para os filhos.
Segundo a geneticista da USP, essa taxa é de 10%. Ela afirma ainda que o sequenciamento pode ser recomendado para casos de desenvolvimento da doença em pessoas da mesma família que têm câncer muito cedo. Exemplo são mulheres que desenvolvem câncer de mama com idades que variam entre 20 e 40 anos.
Realizar uma mastectomia (retirada dos seios) é a única solução para prevenir o câncer de mama?
Não. A retirada dos seios, após a descoberta do gene defeituoso e da chance de desenvolver câncer de mama, pode reduzir o risco de desenvolver o carcinoma. De acordo com o médico mastologista João Carlos Sampaio Góes, esse tipo de procedimento, seguido da reconstrução das mamas, já é bastante aplicado do país, inclusive quando há detecção do câncer de mama na fase inicial.
No entanto, há outras alternativas de prevenção. Uma delas é o acompanhamento médico com maior frequência e realização de exames de mamografia. A outra é o tratamento com a substância tamoxifeno, considerado um antihormônio, e que reduz em 50% o risco do câncer de mama.
Porém, essa medicação pode ser tomada por pouco tempo (entre 5 e 10 anos), pois tem efeitos colaterais como a elevação do risco de trombose, problemas de visão e desenvolvimento de câncer de endométrio (camada de células que reveste o útero).




Arte Bem estar Mamografia (Foto: Arte/G1)

















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Médicos explicam o que mudou nos tipos de tratamento contra o câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data da última atualização: 07/04/2014


Há alguns anos, o câncer era uma doença muito mais temida. Hoje, no entanto, o conceito é outro – com o avanço dos tratamentos e da tecnologia, a doença tornou-se muito mais curável. Como explicou o oncologista Fernando Maluf no Bem Estar desta quarta-feira (2), nos últimos 5 anos, aumentaram em 20% os casos, principalmente nos países em desenvolvimento, por causa dos hábitos e do envelhecimento da população. No entanto, como alertou o hematologista Nelson Hamerschlak, pessoas mais jovens podem também desenvolver a doença. 

Um dos principais fatores para a cura do câncer é o diagnóstico precoce - no caso do câncer de mama, por exemplo, quanto antes o tumor for detectado, maior a chance de cura e recuperação.

Depois do diagnóstico, o paciente pode precisar fazer quimioterapia, um tratamento que também mudou com o tempo - atualmente os remédios são mais evoluídos do que antes e o tratamento é personalizado para cada paciente.

A radioterapia também avançou e os novos aparelhos hoje são 300% mais precisos do que antes, ou seja, atingem exatamente a região do tumor, sem agredir uma área maior do corpo, aumentando muito as chances de sobrevivência.

Fora a quimioterapia e a radioterapia, existem ainda outras medidas que ajudam os pacientes com câncer, como o carinho, a atenção e o incentivo das pessoas ao redor.

Segundo os médicos, a fé também pode ser uma aliada extremamente importante na recuperação. Até mesmo o ambiente pode influenciar - alguns hospitais estão mais coloridos e apostam no tratamento humanizado, como mostrou a reportagem da Renata Cafardo (veja no vídeo).

Causas de câncer

Todo mundo sabe que cigarro, por exemplo, pode aumentar muito o risco de câncer. Assim como tomar sol sem nenhum tipo de proteção, o fumo e a bebida alcoólica também são possíveis causas bem conhecidas pelas pessoas.

Porém, existem alguns mitos em relação a outras causas, como por exemplo, desodorantes antitranspirantes.

No Bem Estar desta quarta-feira (2), os médicos explicaram que antitranspirantes, adoçantes, celulares, refrigerantes e ar-condicionado não causam câncer (confira a explicação no vídeo ao lado).


Câncer: novos tratamentos prolongam a vida

Garantir uma vida mais longa e melhor ao paciente depois do diagnóstico de câncer. Esse vem sendo o foco das pesquisas sobre o mal e do desenvolvimento de tratamentos, com resultados animadores.
Câncer: novos tratamentos prolongam a vida“Já conseguimos melhorar a qualidade de vida dos pacientes e, de três anos para cá, os estudos estão concentrados em novas drogas”, afirma Sérgio Daniel Simon, coordenador do departamento de oncologia do HIAE. “No futuro trataremos o câncer como uma doença crônica, com a qual o paciente pode conviver, apesar de não poder curar”, avisa o médico.
No futuro, trataremos o câncer como uma doença crônica, com a qual o paciente pode conviver, apesar de não poder curar
As conquistas se devem à combinação das terapias convencionais – quimioterapia e radioterapia – aos novos medicamentos. Essa união permite tratamentos menos agressivos e mais especificamente dirigidos às células cancerígenas.

Para onde apontam os estudos

Os focos de pesquisa em oncologia do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa (IIEP), do Hospital Israelita Albert Einstein, estão divididos em dois grupos: genômica e imagem.
Atualmente, há estudos em genômica sobre quatro tipos de câncer:
  • do sistema nervoso central;
  • de cabeça e pescoço;
  • de mama;
  • osteosarcoma, um tumor ósseo que afeta principalmente os adolescentes;
“As áreas de concentração da pesquisa são definidas pela falta de tratamentos satisfatórios ou pela grande incidência da doença na população”, afirma Carlos Alberto Moreira-Filho, geneticista. Os próximos tumores a entrarem no estudo serão os de ovário e próstata.
As pesquisas em genômica têm o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e estão em fase de validação. Os resultados desses estudos estarão disponíveis para testes clínicos em cerca de um ano.
Já as pesquisas de imagem têm transição quase que imediata dos estudos para a utilização pelos pacientes.  “Estamos na fase de pesquisa clínica, ou seja, a que é realizada com pacientes. Em breve teremos a aprovação final de novas metodologias para diagnóstico”, conta o dr. Moreira-Filho. A aplicação se dá nos casos de tumores do sistema nervoso central, mama e próstata. 

Tratamentos de hoje e de amanhã

Conheça as mais promissoras terapias, algumas vem sendo utilizadas em pacientes no Einstein.

Alvos moleculares

Recomendada em larga escala na Europa e nos Estados Unidos, a terapia de alvos moleculares ainda aguarda, no Brasil, a aprovação da maioria dos medicamentos alvo-dirigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
O objetivo do tratamento com essas drogas é dirigi-las para uma molécula anormal da célula de câncer, não permitindo que esta funcione. O procedimento é realizado de várias maneiras: “Pode ser um anticorpo que gruda na molécula e a impede de funcionar ou até uma molécula que destrói a anormal e impede o crescimento do tumor”, explica o oncologista Sergio Simon.
A terapia é indicada para qualquer tipo de câncer, desde que o alvo molecular – parte da célula com o gene do câncer – seja identificado. Essa identificação é possível por meio de pesquisas em laboratório. “Os tumores nos quais mais utilizamos esse tratamento são de mama, pulmão, intestino e rim”, completa o dr. Simon.

Antiangiogênese

Os princípios desse tratamento são os mesmos da terapia de alvos moleculares. A diferença é que na antiangiogênese o medicamento pode levar a célula tumoral à morte, porque bloqueia a produção dos vasos sanguíneos. Ou seja, as células cancerígenas são destruídas por falta de nutrientes.
Os resultados são promissores. “Mas os medicamentos são caros e ainda não foram aprovados no Brasil”, explica o oncologista. As principais aplicações do tratamento são nos tumores de intestino, rim e do sistema nervoso.

Imunoterapia

Uma promessa futura, essa terapia consiste em estimular as células de defesa do organismo para atacarem as células cancerígenas. Tal reação pode ser provocada de várias maneiras, sendo uma delas a vacina. “É um tratamento ainda experimental, em fase de testes, mas que já mostrou resultados positivos em alguns tipos de tumor como o de rim e o de pele” ressalta o dr. Simon. “Não utilizamos a imunoterapia no Einstein pela falta de comprovação de resultados”, completa o médico.