Desmistificando o Câncer
Em oncologia, como em todas as especialidades, nós, médicos, travamos uma das piores batalhas do nosso dia-a-dia: desfazer os mitos em relação às doenças. Quando tratamos de câncer, os mitos parecem ser ainda mais fortes e arraigados na mente das pessoas. E há vários deles que, com o passar do tempo, tornam-se verdades.
Vejamos o exemplo do mito que diz que o câncer é contagioso. Embora alguns tipos de vírus possam desenvolver o câncer, a doença em si nunca é contagiosa. Outro mito que envolve a doença é o de que ela não tem cura. Trata-se de uma inverdade, pois mais da metade dos pacientes diagnosticados precocemente com câncer apresentam cura. A afirmação de que todo tumor é câncer também não passa de um mito, já que existem alguns tumores benignos.
E se alguém disser que câncer é hereditário, saiba que isso não passa de uma inverdade. Algumas famílias podem até ter maior probabilidade de desenvolver tumores por estarem dispostas geneticamente a isso, mas é falso que a doença seja uma herança genética.
Com relação ao câncer de mama, também há um mito que precisa ser desfeito: o de que implantes mamários causam câncer. Embora a anatomia das mamas mude com os implantes, a mulher passa a observá-las melhor. Já a afirmação de que amamentar protege as mamas do câncer é verdadeira. Durante a amamentação, as células mamárias se multiplicam menos, diminuindo o risco do aparecimento de câncer.
Outra inverdade é que a frequência sexual está relacionada ao câncer de próstata. Fazer mais ou menos sexo não vai levar ao aparecimento da doença. Mas alguns vírus transmitidos sexualmente podem ser o principal fator do desenvolvimento do câncer. O HPV pode causar câncer de colo de útero e o vírus da hepatite pode causar câncer no fígado, por exemplo.
E é verdade que beber água fluoretada causa câncer? Nenhum estudo nunca demonstrou que isso aumentasse o índice da doença. Assim como também não há nenhum embasamento científico que comprove que chumbo no batom possa provocar câncer.
O câncer de pele também é motivo de muitas dúvidas. Estar bronzeado, por exemplo, não significa que você esteja protegido dos efeitos do sol. As pessoas de pele morena ou negra têm sim uma incidência menor de câncer de pele, mas as pessoas que se bronzeiam têm mais chances de apresentar a doença, uma vez que têm a pele danificada. E como os efeitos do sol são cumulativos, o câncer de pele é mais comum em pessoas com mais de 40 anos. Uma verdade também é de que a doença está relacionada à destruição da natureza. Com os buracos na camada de ozônio, ficamos mais expostos à radiação solar e, consequentemente, mais propensos ao câncer de pele.
Outro mito bastante comum é o de que charutos e cachimbos provocam menos câncer de pulmão que cigarros. O tabaco é o mesmo, esteja ele em qualquer uma dessas drogas, e já foram identificadas, pelo menos, 43 substâncias cancerígenas nele. Ocorre que é mais comum fumar cigarro, o que confere a ele maior causa do aparecimento da doença.
E ao contrário do que muitos pensam, utilizar o microondas para cozinhar alimentos não provoca câncer. O fato de eles serem cozidos no aparelho não os torna radioativos. Mas é bom prestar atenção à dieta. Estudos científicos mostram que ingerir alimentos ricos em gordura está relacionado ao aparecimento de câncer de próstata e de cólon.
Poderíamos citar inúmeros outros mitos. É importante estar atento a essas inverdades para não ter motivos de se preocupar. E-mails circulam todos os dias na Internet contendo informações mentirosas. Antes de começar a acreditar neles, procure se inteirar melhor do assunto.